Visando idosos, principalmente aposentados, o golpe da indenização voltou a atacar Bauru. Pelo menos três pessoas receberam uma carta divulgando um suposto pagamento de indenização, desde que a vítima arque com custas processuais. O policial aposentado José Antunes, 73 anos, recebeu o comunicado, mas não caiu no conto.
No embuste, a vítima recebe uma carta que aparenta ser do Poder Judiciário, informando que uma grande soma de dinheiro foi depositado em sua conta bancária. No caso de Antunes, mais de R$ 28 mil. O valor seria referente a uma indenização. A vítima, então, tem que depositar um montante para cobrir supostas despesas judiciais. “Eu liguei no telefone que estava na carta e disse que não tinha entrado com ação nenhuma na Justiça, mas eles me disseram que meu nome tinha sido incluído”, relata.
O idoso checou sua conta e viu pelo extrato que o valor estava depositado. Antes de pagar o pedido pela carta, cerca de 10% do valor da “indenização”, ele procurou o advogado Jair Carpi. “Vi que tudo era uma montagem bastante grosseira”, destaca. Entre as irregularidades, o advogado destaca que o Poder Judiciário nunca manda notificação, e sim ofício, usando impresso próprio. No texto da carta, o remetente é o 4.ª Vara Civil e não Cível, como seria o correto.
Além disso, Carpi destaca que o Estado não paga através de cheque, e sim por meio de depósito judicial no banco Nossa Caixa. “E o beneficiário deve tirar esse valor através de um levantamento ou guia de levantamento expedida por cartório. A citação é sempre ao advogado e não beneficiário”, enumera.
Ele aconselhou Antunes a não depositar e aguardar. O cheque da suposta indenização acabou devolvido por irregularidade na assinatura. “Aconselhei o meu cliente a registrar o boletim de ocorrência para a apuração devida”, afirma Carpi.