O ex-presidente da República J.K., num plano arrojado de governo, em cinco anos construiu a nova capital brasileira. A Fepasa não deixou por menos. Em dez anos, destruiu tudo aquilo que levou 100 anos para ser construído. No dia em que o então governador do Estado Laudo Natel (10/11/1971) inaugurou a Fepasa, estava também inaugurando um cemitério, onde seriam sepultadas as cinco ferrovias do Estado.
Recordo-me muito bem que, um dos primeiros atos da diretoria recém-empossada, foi cortar a gratuidade dos ferroviários e de seus familiares, ou seja, a partir de 1/1/1972, aqueles que deram suas vidas, ou parte delas, para o desenvolvimento da ferrovia, estavam proibidos de andar de trem. Referindo-se apenas a nossa região, Triagem Paulista, onde eu residia naquela ocasião, existiam 75 casas, escola e até um salão de bailes, cujos imóveis eram ocupados pelos próprios funcionários da ferrovia.
Ao invés daquelas casas serem conservadas e até vendidas aos funcionários que as ocupavam, a Fepasa achou melhor destruí-las, restando, por muito tempo, apenas terrenos abandonados. O material rodante, carros, vagões, locomotivas, não teve melhor sorte, pois tudo se transformou em sucata, estando lá até hoje os restos mortais para quem quiser conferir.
Carlos de Oliveira Filho