Leonardo de Brito

Em Confiança

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 5 min

JOGOS INCRÍVEIS

Quando falei sobre a derrota da Argentina, depois do treino do Noroeste, no final da tarde de quarta-feira, todos - jogadores, comissão técnica e colegas de imprensa - achavam que eu estava brincando. Principalmente pelo 1º de abril, o dia da mentirinha. Difícil de acreditar, mesmo, em uma vitória de 6 a 1 da fraca Bolívia, em cima de uma das melhores seleções do mundo. Os hermanos sofreram outra goleada histórica pelas Eliminatórias. Na disputa da quarta e última vaga, em 1993, na derradeira rodada, a Colômbia tinha três pontos a menos que a Argentina, uma vitória a menos e perdia no saldo de gols. O time de Higuita, Rincón e Asprila precisava vencer por 5 a 0, e venceu por 5 a 0. Em Nuñez. Os colombianos se classificaram para os EUA/94 e os argentinos tiveram que disputar uma repescagem. Estou lembrado de outros jogos incríveis, muitos deles que vi pela televisão e através da leitura. Na Copa de 1950, o Brasil arrasava, enquanto o Uruguai chegou à decisão aos trancos e barrancos. Nossa Seleção, que só precisava empatar para ganhar o primeiro título mundial, abriu a contagem, mas a Celeste virou e fez a festa. Inesquecível também aquele jogo pela Série B de 2005, quando o Náutico precisava só empatar em casa com o Grêmio. Além disso, o alvirrubro pernambucano perdeu dois pênaltis, um deles aos 48 minutos do segundo tempo. Antes da defesa do goleiro Galato, o tricolor gaúcho teve seu quarto jogador expulso. Trinta segundos depois, o Grêmio fez o gol da vitória e retornou ao Brasileirão. Foi a famosa Batalha dos Aflitos. Jamais vou esquecer das viradas que o Noroeste fez e tomou. No Paulistão de 92, o Norusca perdia para o Botafogo por 4 a 1, mas acabou vencendo o jogo em Bauru por 5 a 4. Pelo ‘torneio da morte’, 1999, só precisava empatar em Paraguaçu Paulista para continuar na Série A2. O Noroeste vencia o Paraguaçuense por 2 a 0, mas tomou três gols a 12 minutos do fim e caiu para a Terceirona.

BOA VITÓRIA

A exibição não foi de encher os olhos, mas o Brasil jogou bem, não encontrou dificuldades para liquidar o limitado Peru e apagou a péssima apresentação de domingo, em Quito. A entrada de Kaká no meio-campo deu mais dinamismo ao time de Dunga. Luís Fabiano fez dois gols, criou chances e movimentou-se bem, mas na minha opinião, o melhor em campo foi Daniel Alves. Acho o lateral-direito baiano melhor do que Maicon, o titular da posição, que não participou do jogo de quarta-feira, no Beira-Rio. Alexandre Pato está melhor do que Robinho e também merece ser titular. Outro que brilhou foi Felipe Melo. Com essa vitória e os tropeços de Chile e Argentina, a Seleção Brasileira volta a ocupar a vice-liderança das Eliminatórias, com três pontos a menos que o Paraguai.

NAS ALTURAS

Dunga afirmou que o empate de domingo foi por causa da altitude de Quito, e a imprensa achou esfarrapada a desculpa do treinador. A Seleção jogou mal, mas a altitude atrapalha, sim. A Argentina jogou mal - acompanhei o jogo pela TV -, mas notei a falta de oxigênio dos hermanos. Nas Eliminatórias para o Mundial de 94, o Brasil perdeu de 2 a 0 em La Paz. No jogo de volta, no Recife, os bolivianos apanharam de 6 a 0. Em uma Libertadores dos anos 60, o Santos de Pelé perdeu do Strongest por 4 a 3, em La Paz. Na Vila, 8 a 0 para o Peixe.

EDNO, O CARA

Edno defendeu o Noroeste no Campeonato Paulista e no Brasileiro da Série C, em 2007. Ele foi contratado para atuar na lateral-esquerda, mas jogou muito mais como meia armador, sendo o grande destaque da equipe. Edno foi indicado por Paulo Comelli, que antes de vir para Bauru, em 2005, era o técnico do Figueirense. Em 2008, já na Portuguesa e atuando no ataque, Edno foi o melhor jogador do time, e o mesmo acontece esse ano. Mas ele pode deixar o Canindé ao final do Paulistão. Se não for para a Europa, o camisa 10 da Lusa deve desembarcar no Morumbi. Vale lembrar que Santos e São Paulo tentaram a contratação do jogador catarinense no começo da temporada, mas a Portuguesa não aceitou. Um dos artilheiros do Estadual, Edno chuta forte, é clássico e inteligente. Um jogador moderno.

AMADORZÃO

Nardão, ex-zagueiro do Cometa Ajax e Barcelona, faz sua estréia como técnico no Ressaca. E por falar em treinador, quem está deitando de comprido é Osmarzão, o comandante do Laranjeira. Perdi até a conta da série invicta da equipe do Beija-Flor.

NAÇA/ELEIÇÃO

A votação para a escolha da diretoria do Nacional não foi realizada sábado, por problemas na urna eletrônica. O também noroestino e santista Carlos Ladeira informa que a eleição ficou para amanhã, na sede do clube, rua Rio de Janeiro, 2-51. O doutor Gílson Rodrigues é o mais cotado para ser o novo presidente do Naça.

MEMÓRIA

Taça Libertadores de 2005: São Paulo 2 x 0 Palmeiras, no Morumbi, gols de Rogério Ceni e Cicinho. Árbitro: Sálvio Spínola Fagundes. São Paulo: Rogério Ceni; Cicinho, Fabão, Lugano e Júnior; Mineiro (Edcarlos), Renan, Josué e Danilo; Luizão (Alê) e Grafite (Diego Tardelli). Técnico: Paulo Autuori. Palmeiras: Marcos; Nem, Daniel e Gabriel (Cristian); Correa (Ricardinho), Alceu, Magrão, Juninho Paulista e Lúcio; Washington (Osmar) e Marcinho. Técnico: Paulo Bonamigo.

AQUELE ABRAÇO

Aquele abraço Rodolfo, Marcos, William e Isaac, da Fullgraphics/Ribeirão Preto. Na madrugada, esses amigos de fé lêem esta coluna pela Internet.

Comentários

Comentários