Tribuna do Leitor

Sorria, você está sendo filmado!


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No decorrer da evolução humana, notamos uma grande tendência, a de se fechar em grades. Desde os primórdios até hoje o ser humano se afastou quando se fala em relação inter-pessoal. Nessa era, pessoas têm medo de pessoas. Com os aumentos dos furtos, roubos e homicídios, o cidadão inocente sente-se inseguro, e utiliza de meios para sua proteção: grades, muros altos, cercas elétricas e câmeras que filmam a todo instante.

Essas mesmas que estão em todos os lugares, visando a uma maior segurança. Nas nossas casas ficam lá, paradas e observando tudo ao seu redor, como se pudéssemos controlar o tempo. Tornando-se assim um olho eletrônico, pronto para observar cada detalhe e também tudo ao nosso redor.

Há nove anos, a mais famosa emissora de TV do Brasil, a Rede Globo, apresentava um novo programa, este mesmo que seria a mais nova era da televisão, a atração mais vista e capaz de parar o Brasil por causa de uma eliminação: O BBB (Big Brother Brasil).

Fazendo uma breve conta, se em uma eliminação houver aproximadamente 30 milhões de ligações (que é a média normal) do povo brasileiro votando em algum candidato para ser eliminado, ocorrendo uma parceria do 0300 com a Rede Globo, onde o custo de uma ligação é de R$ 0,30, no final do “paredão” há um saldo de R$ 9.000.000, pasmem, nove milhões de reais, (esta aí a solução para a crise).

É o sabor pago para se obter um entretenimento nulo, que em nada colabora para a formação e o conhecimento de quem dele desfruta. Mas você pode estar se perguntando: o que uma atração tão cara tem há ver com as câmeras? Óbvio, um recurso utilizado para fins de proteção passou a ser para ostentação.

Trancam-se participantes que estão a fim de se “mostrar” e lá ficam por três meses, ate que ganhe. Com o BBB, o público observa através da lente das câmeras o que acontece na casa, onde se manipula o melhor ângulo, o melhor foco e até a visão sobre os participantes. Esses mesmos não perdem tempo, quase seminus, estão à disposição para serem vistos e até aceitam convites depois para posar em revistas eróticas, antes que acabe sua fama passageira.

Temos aí uma forma de o público tornar-se público, brincando com a realidade, vistas através de uma tela. Uma brincadeira e um gosto desses, só coisa de país rico como o nosso. E ainda as não bastas-se, Pedro Bial nos manda uma dessas: “E agora vamos falar com os nosso “Heróis””. Homenagem infeliz usada ao se dirigir ao público do prestigiado BBB.

Eu me pergunto: o que será herói para ele?

Para mim é uma coisa muito diferente, heróis são pessoas notáveis por suas realizações ou sua bravura, não pela sua fama. Herói, Pedro Bial, é o pai de família que trabalha o mês inteiro e ganha um mísero salário e tem que fazer milagre para sobreviver. Heróis são aqueles que conseguem ver o sofrimento do outro e se prontificar a amenizar o sofrimento dele.

Seus participantes, Pedro Bial, não são heróis, são meras pessoas que visam a fama, glamour instantâneo, sem sequer estarem um pouco preocupados com a família brasileira que está aqui na vida real.

Quando um renomado repórter vibra com os namoricos, intrigas e as futilidades do programa BBB, como se fosse o assunto mais importante, é sinal que algo está lamentavelmente errado...

Depois reclamamos dos políticos, dizendo que são ladrões, corruptos, safados, etc. Mas quem os colocou lá? Claro, os mesmos que votaram no BBB.

Espero que a sociedade tente refletir no que se passa ao seu redor, acabamos perdendo grandes ideologias, umas delas o conceito de família. Pensem sobre quem são os seus heróis? Quem são as suas heroínas?

Podemos citar Cazuza.“Meus heróis morreram de overdose e meus inimigos estão no poder”.

Nícolas Meireles de Sousa

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