Geral

Especial Segurança: Obrigação que os governos não cumprem

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O medo da violência tem levado um número cada vez maior de pessoas e empresas a contratar serviços de vigilância e monitoramento eletrônico como alternativa de proteção em casa ou no trabalho. Embora a segurança seja um direito assegurado pela Constituição Federal a todos os brasileiros, nem todos estão satisfeitos com a qualidade do serviço prestado. Assim é também com a educação, saúde, previdência, entre outros. Quem quer um serviço com uma qualidade mais próxima da ideal, tem de pagar por ele.

Do carro blindado ao insulfilm, passando pelos muros com cerca elétrica e arame farpado, cada um se protege como pode no País onde os índices de violência não param de crescer. As notícias a respeito de assaltos, seqüestros e homicídios deixaram de ser uma exclusividade dos grandes centros e, cada vez mais, fazem parte do cotidiano das pequenas cidades.

Como o Estado é incapaz de garantir a segurança dos moradores, os mais abastados financeiramente contratam um exército particular para protegê-los dos criminosos. Os cidadãos optam por transformar suas moradias em verdadeiras fortalezas para impedir a invasão do inimigo.

Embora tenha dinheiro para pagar por esses serviços particulares, um empresário de Bauru não esconde sua indignação com a situação. “Se queremos uma boa estrada, precisamos pagar pedágios; se queremos uma boa educação, precisamos pagar escola particular; se queremos uma boa saúde, precisamos pagar médicos particulares ou convênios e, se queremos viver seguros, precisamos pagar uma segurança privada. Então, fica a pergunta: para que servem os impostos?”

O questionamento é de alguém que paga segurança particular há seis anos. O empresário afirma que nunca teve a casa assaltada, mas decidiu recorrer ao serviço de vigilantes como uma medida preventiva. A casa dele é vigiada 24 horas por dia. Foi a saída que o empresário encontrou para manter a família e a residência longe das garras dos bandidos. Pelo menos, é uma maneira de dificultar a ação deles.

Questionado pela reportagem se se sentia seguro com esse aparato a seu dispor, o empresário afirmou que a segurança, nesse caso, é algo subjetivo. Na opinião dele, segurança não depende apenas de vigilância, mas também de vários outros fatores, como não facilitar a ação dos bandidos, mudar sempre o trajeto para a casa, ter uma rua e um quintal bem iluminados, entre outros cuidados.

Sobre o fato dos vigilantes estarem constantemente observando a movimentação na casa e, desta forma, passar a conhecer a rotina da família, o empresário diz não estar preocupado com isso. “(Os vigilantes contratados) são profissionais rigorosamente selecionados e que passam por treinamento constante”, informa.

Já aconteceu de vigilantes serem seqüestrados por bandidos para dizer qual é a rotina da família para a qual ele trabalha ou usar essas informações em proveito próprio. Apesar de se mostrar despreocupado com isso, o empresário reconhece que a rotatividade entre os vigilantes é algo que deve ser evitada. De acordo com ele, não é bom substituir vigilantes como se troca de roupa. Quanto menos pessoas souber da sua vida e da vida da família, melhor.

Comentários

Comentários