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Analistas recomendam cautela na Bolsa


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São Paulo - A escalada da Bolsa de Valores de São Paulo na semana passada fez muita gente começar a se questionar se o momento mais crítico do mercado ficou para trás. Apenas nos últimos quatro pregões, a Bovespa deu um salto de 9,2% e alcançou seu mais elevado nível em seis meses. No ano, os ganhos acumulados chegam a 18,22%.

Todavia, mesmo que o desempenho recente do mercado de ações possa gerar certa euforia, analistas advertem que ainda há muitas incertezas em relação ao desempenho da economia mundial pelos próximos meses. E, consequentemente, não há garantias de que a Bolsa seguirá em rota de alta.

“Começamos a entrar em um processo de recuperação, mas não é hora de ficar ansioso para investir em ações. Nesse momento, é bom entrar na Bolsa aos poucos. Vai demorar para que a Bovespa consiga retomar seus picos”, diz Ricardo Almeida, professor de finanças do Ibmec-SP. “Realizações de lucros vão ocorrer pelo caminho.”

Aos 44.390 pontos, a Bovespa encerrou a sexta em sua mais alta pontuação desde o dia 3 de outubro. Mas ainda está distante de sua máxima histórica, os 73.516 pontos marcados no dia 20 de maio de 2008.

A pontuação da Bolsa oscila com o sobe e desce do valor das ações. Assim, quando a pontuação atinge um recorde, significa que nunca as ações estiveram tão valorizadas.

Para retomar seu recorde, a Bolsa de Valores terá de se apreciar em mais de 65%.

“Até o começo da semana (passada), falava-se em Bolsa a 50 mil pontos no fim do ano. E não acho que o cenário tenha se alterado drasticamente. Não adianta começar a pensar que a Bolsa retornará aos 70 mil pontos”, diz Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros. Monteiro lembra que, apesar de o mercado ter se animado na semana passada com os anúncios feitos na reunião do G20, a economia mundial ainda está muito comprometida. “Tem de esperar para ver como a economia vai se comportar daqui para a frente. Devemos ter dados econômicos mais claros no fim do segundo trimestre”, diz.

A oscilação das ações reflete as perspectivas para os resultados das companhias. E, com o atual cenário debilitado, não se espera que as empresas com ações em Bolsa consigam ser muito mais lucrativas do que foram no ano passado. Ao menos este primeiro semestre promete ser bastante difícil.

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