Cultura

Artista investe na digigrafia

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min

Técnica relativamente nova no campo das artes plásticas, a digigrafia é a nova aposta de Percÿ Coppieters. Por meio de um software específico, é possível realizar a criação de obras digitais, que podem ser impressas em tecido ou papel. “Através do computador, você cria qualquer tipo de obra de arte com toda a originalidade de uma tela. É possível, por exemplo, ver os traços do pincel com os volumes de tinta”, explica o artista.

Entre os benefícios desse recurso no seu trabalho, Percÿ destaca o aumento do exercício de criação. “A digigrafia me proporciona uma criação maior e me propicia ainda o caminho inverso: transcrever para a tela coisas produzidas digitalmente”, considera. Há dois meses, o artista vêm produzindo obras digitais e a previsão é de que dentro de mais dois meses, as obras já estejam disponíveis na Internet.

A nova prática traz à tona, porém, a questão da reprodução em larga escala, tema muito debatido nos anos 1930 pelos filósofos Adorno e W. Benjamim, sendo o primeiro um ferrenho opositor à idéia da reprodução da obra de arte, e o segundo, um defensor. Para Percÿ, a digitalização acrescenta ao trabalho do artista e aproxima a arte do público.

“Essa possibilidade só vem aprimorar o trabalho do artista. E cada vez mais a tendência é popularizar o consumo da arte”, considera. “É uma forma de atingir um público maior que, por sua vez, terá uma obra assinada pelo artista, por um preço mais acessível comparado à compra de um original”, completa o artista.

Temas e técnicas

Das paisagens ao figurativo, das marinhas aos abstratos, da tinta a óleo às texturas. A diversidade de temáticas, também como de técnicas, é uma das características do trabalho de Percÿ Coppieters.

Para o artista plástico, passear por diversas vertentes, além de aprimorar o trabalho do artista, interfere na recepção e percepção que quem observa a obra. “O objetivo da miscelânea é fazê-la repercutir no resultado a ser apresentado. Considero importante mostrar para as pessoas que se está tecnicamente preparado para trabalhar, muitas vezes em uma única tela, com vários materiais”, considera.

Outra marca do seu trabalho é a busca incessante por algo que possa completar o que já foi feito. “Às vezes, um detalhe de um quadro vira um tela. Estou sempre vendo dentro do que já fiz mais um pedaço de uma obra, buscando no meu próprio universo uma releitura mais atual”, explica.

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