Saúde

Toques e retoques

Consultoria: Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 5 min

Chocolate e seus vícios

Prezado leitor,

O chocolate sempre foi considerado o vilão para a nossa beleza. O bom (ou mau) da história é que ele é um alimento muito saboroso, porém hipercalórico. Ele estimula a obesidade, em alguns casos aumenta a acne, pode acentuar a enxaqueca e até acarretar cáries dentárias. Nas mulheres, seu desejo é maior devido às oscilações hormonais e à queda do neurotransmissor serotonina, uma substância ligada ao prazer, sendo que esse doce equilibra seus níveis.

Ele também nos dá a sensação de bem-estar e ativa nosso sistema de recompensa. Como na vida moderna todos estamos expostos ao estresse e a pressões externas, quando retornamos ao nosso lar e relaxamos, esse alimento cai como uma luva para nos presentear pelo esforço obtido durante o dia.

Atualmente estão sendo estudados seus benefícios. Foi comprovado que ele é rico em vitaminas e substâncias nutritivas e é possível seguir uma dieta alimentar para emagrecimento ingerindo essa delícia diariamente, mas com moderação.

Compulsão (chocoolismo ou chocólatra)

A compulsão, ou o desejo excessivo pelo chocolate, está relacionada com o estado depressivo, de angustia, de pessimismo, ou ainda, à tensão pré-menstrual. A idéia que resume este conceito é que o aminoácido triptofano existente no chocolate e precursor da serotonina levaria a um desejo de comê-lo para aumentar a sua síntese cerebral. É importante diferenciar se você sente necessidade diária de quaisquer alimentos saborosos ricos em açúcares ou se é especificamente de chocolate. Se a resposta da última pergunta for positiva, provavelmente você está a caminho do vício.

Desejo ou vício?

Os amantes do chocolate têm que se conscientizar da diferença existente entre desejo e vício. O desejo é uma ânsia por uma substância de prazer, seja ele chocolate ou torradas quentes com manteiga. O desejo é geralmente provocado pelo estresse e pode realçar o desempenho de uma pessoa aumentando a concentração e reduzindo o cansaço.

O vício é definido como o uso habitual de uma substância como álcool ou drogas, os quais se tornam menos eficazes para satisfazer as necessidades e resultam em sintomas desagradáveis de abstinência se for feita alguma tentativa para abandonar a substância em questão.

O chocolate dificilmente se enquadraria na categoria de vício. Os psiquiatras sugeriram que os mecanismos que regulam o mecanismo da feniletilamina do corpo podem falhar em algumas pessoas e isto pode explicar uma tendência à compulsão por chocolate após um desgaste emocional.

Reações alérgicas

O chocolate pode desencadear alguns processos alérgicos quando consumido em excesso. Alguns estudos revelam que crianças chegam até a desenvolver uma rinite alérgica muitas vezes confundida com resfriado. Outras reações comuns derivadas do alto consumo deste alimento são coceiras, irritação na pele com vermelhidão e bolhas e até diarréia.

Diet x Light

Diet: indicado para diabéticos, não para dietas de emagrecimento. Torna-se mais calórico por ser acrescentado maior quantidade de gordura para compensar a retirada do açúcar.

Light: indicado para dietas de emagrecimento por apresentar menor conteúdo de gordura e consequentemente de calorias, mesmo assim não se deve abusar, pois em excesso também pode levar à obesidade.

Chocolate e comportamento

Algumas pessoas usam chocolate como forma de automedicação para compensar a deficiência de alguns nutrientes, provavelmente o magnésio. Chocolate e cacau possuem uma excepcional concentração desse mineral e em alguns casos a suplementação do mesmo diminui as compulsões por chocolate, além de diminuir os sintomas da tensão pré-menstrual (TPM).

Vários estudos concluíram que o mau humor é comum em viciados que, por sua vez, tem uma tendência em alimentarem-se emocionalmente. Baixos níveis de serotonina têm sido associados à depressão, vícios e a transtornos maníaco-obsessivos e compulsivos.

As quantidades das substâncias presentes no chocolate não são capazes de desencadear fortemente os efeitos compulsivos acima mencionados, porém, estes podem ser provocados por uma alta ingestão, uma vez que estas substâncias estarão juntas e em alta concentração. Prazeres na vida como ingerir essa delícia dos deuses também é necessário, porém desde que seja com parcimônia. Coma bastante ovo de Páscoa e reinicie a dieta no dia posterior.

Faça o teste: você é um chocólatra?

1) O chocolate ocupa freqüentemente o seu pensamento?

2) Você se sente viciado ou dependente em chocolate?

3) Já substituiu algum outro vício (café, cigarro, drogas) por chocolate?

4) Já acordou de madrugada para comer chocolate ou teve de sair um dia na chuva para comprar porque não aguentava de vontade?

5) Se você está fazendo dieta, o fato de não poder comer chocolate põe tudo a perder? Se tiver de tirar o chocolate você desiste do regime?

6) Mesmo em casos de problema de saúde (obesidade, taxa alta de colesterol), você não consegue resistir ao chocolate?

7) Você come chocolate como recompensa?

8) Você procura o chocolate quando está deprimido(a)?

9) Você usa o chocolate como remédio anti-estresse ou quando está ansioso(a)?

10) Quando está sem parceiro sexual você percebe que busca comer mais chocolate?

11) Já comeu chocolate escondido para não ter de dividir com outras pessoas?

12) Você se sente culpado por não conseguir resistir ao chocolate ou se sente deprimido(a) após comê-lo além da conta?

13) Você já tentou parar de comer chocolate e não conseguiu?

14) Você já sentiu algum sintoma de abstinência, como irritabilidade, quando deixa de comer chocolate?

Resultado

Se responder afirmativamente a sete ou mais questões, pode ser que você não tenha controle sobre o consumo de chocolate. As perguntas foram formuladas com base nos comentários espontâneos dos participantes do estudo feito pelo PRATO (Programa de Atendimento ao Obeso) da Unifesp.

OBS: O teste ainda não é validado cientificamente pelos pesquisadores.

Um grande abraço, até o próximo domingo e Feliz Páscoa!

Daniela Hueb

Médica, CRM-SP 96.027

e-mail:danielahueb@jcnet.com.br

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