Proprietários de carros com motor a álcool hidratado ou bicombustíveis aproveitam para encher o tanque gastando menos. Com a recente queda, o preço do litro do combustível nas bombas de Bauru chega a custar R$ 0,99, o menor valor deste ano.
A queda no preço, que em alguns postos é de mais de R$ 0,20 por litro se comparado ao do início do mês, é creditadas, entre outros fatores, ao alto índice de produtividade de álcool combustível. Além de estar na safra, o setor sucroalcooleiro estaria desovando a produção também porque está sem dinheiro em caixa por conta da crise mundial.
A necessidade de queimar estoque, conforme explica o empresário Edivaldo Tuschi, em nome da base bauruense do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), aliada à dificuldade do momento, impulsionou a queda no valor do combustível e demais subprodutos do setor canavieiro. “Foi gerado grande estoque por parte das usinas, inclusive de açúcar, que também está ‘sobrando’”, ilustra.
O menor valor, observado pelo preço final cobrado diretamente na bomba, tem servido de incentivo para que os consumidores façam, com maior freqüência, o pedido de “completa” aos frentistas.
É o caso do vendedor de artigos de pet shop Lázaro José da Silva, que, de automóvel, comercializa seu estoque em todo o Estado. “O preço está bom”, aprova. Viajo muito e em alguns lugares cheguei a encontrar o álcool a R$ 0,97 ”, testemunha. “Num posto em Ourinhos, na semana passada, abasteci a R$ 1,29. Hoje (ontem), no mesmo lugar, estava a R$ 1,02”, impressiona-se o consumidor, que, ontem à noite, enchia o tanque em um posto no Centro de Bauru de R$ 1,04 o litro. Mas o preço máximo na cidade ainda é de R$ 1,99. Já o litro da gasolina é encontrado na cidade, de acordo com dados apresentados no site da Agência Nacional do Petróleo (ANP), ao preço mínimo de R$ 2,25 e máximo de R$ 2,49.
A queda vertiginosa no preço do álcool hidratado, contabiliza o consumidor, reflete em impactos imediatos ao seu capital de giro. “Eu, que ando muito, terei uma economia em torno de 20%”, calcula o autônomo, que conta percorrer uma média de 10 mil quilômetros ao mês.
‘Montanha Russa’
Mas o benefício ao consumidor tende a durar pouco. É o que alerta o porta-voz do Sincopetro na cidade, Edivaldo Tuschi. Segundo ele, de acordo com informações obtidas diretamente nas petroleiras, a alegria dos proprietários de veículos motorizados a etanol ou bicombustíveis deve acabar ainda nesta semana.
Segundo ele, as usinas, então com baixo fluxo de caixa, em tempos de crédito curto, ocasionado pelo atual momento de crise, foram socorridas recentemente pelo Governo Federal, com uma linha de crédito emergencial destinada ao setor sucroalcooleiro, fato que deve alavancar, novamente, os preços verificados na bomba.
“Somente o mercado paralelo observou um acréscimo superior a 10% hoje (ontem), cerca de R$ 0,11”, enumera Tuschi, que confia numa rápida inversão do cenário. De acordo com o empresário, a Petrobras, uma das companhias petrolíferas que já anunciam o breve reajuste, deve fazer o repasse, ao consumidor final, a partir de amanhã. “Com certeza, a partir da semana que vem, os preços deverão estar mais altos em todos os postos”, estima.