O número de adolescentes que procura tratamento para abandonar o vício por drogas e álcool em Bauru aumentou 143% em dois anos. Saltou de 67, em 2006, para 163, em 2008. Os dados foram fornecidos pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps), que trabalha especificamente com esse público.
De acordo com o órgão, a maioria deles é dependente de crack e é de origem pobre. No entanto, especialistas afirmam que o problema atinge todas as classes sociais. Grande parte não consegue finalizar o tratamento. Nos últimos três anos, no máximo 1,5% do total de assistidos num ano inteiro obteve alta. Frente às dificuldades (da abstinência ao contexto familiar e social), 55% deles abandonaram o tratamento em 2006. O percentual caiu para 38% no ano passado.
Talvez, por conta da situação, há quem defenda a internação compulsória, uma posição controversa. O Caps, no entanto, oferece atendimento ambulatorial. Quando a desintoxicação depende de internação, crianças e adolescentes são levados para fora da cidade. Conforme o JC divulgou, a Prefeitura de Bauru firmou parceria com uma instituição da região conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS), para tratamento de crianças e adolescentes dependentes químicos.
A iniciativa visa cumprir liminar concedida pelo juiz da Vara da Infância e Juventude de Bauru, Ubirajara Maintinguer, que obriga a administração municipal a oferecer abrigo e tratamento para jovens viciados em drogas. “A cidade só dispõe de atendimento ambulatorial pelo Caps. Mas isso tem se mostrado insuficiente”, comenta o magistrado.
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Seqüestro de bens
A ação civil pública proposta pelo promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel, pede à Justiça que exija da prefeitura um programa de internação psiquiátrica específico para crianças e adolescentes. “Foi deferida a liminar. A prefeitura mantém convênio com uma comunidade terapêutica na cidade de Jaci. A prefeitura está estudando caso por caso e contatando comunidades terapêuticas para fazer convênios e atender esses jovens”, explica o juiz.
Por conta desse esforço, ele negou outro pedido do Ministério Público - o de seqüestro de valores - para que o tratamento fosse feito em Bauru, mas pela rede privada. “Analisando documentos e justificativas, entendi que pelo menos por agora a prefeitura tem adotado providências para resolver o problema”, comenta. No entanto, cerca de sete não conseguiram vagas, de um total de 15 que necessitavam desse tipo de assistência. Outros desapareceram, informa Maintinguer.
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Adultos x jovens
A convivência entre adultos e adolescentes já não é fácil em situações normais. Imagine então misturá-los, sendo todos dependentes químicos? A questão foi colocada por Edmundo Muniz Chaves, diretor-executivo do Esquadrão da Vida, entidade voltada à internação de dependentes químicos do sexo masculino maiores de 18 anos.
De acordo com ele, Bauru deveria contar com uma comunidade terapêutica dirigida especificamente a crianças e adolescentes - que deve desenvolver um trabalho em rede, com várias outras instituições, além de contar com o apoio de todas as esferas de poder. De acordo com Chaves, o período de internação é a fase menos complicada do processo de restabelecimento dos jovens.
Difícil mesmo, na opinião dele, é driblar os problemas sociais e a desestrutura familiar, por exemplo.