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Corpo de pedreiro é resgatado 22 horas após soterramento

Por Ricardo Santana | Com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

O pedreiro Antônio Ferreira dos Santos, 63 anos, cumpriu, anteontem pela última vez, um ritual que já se repetia há cerca de 40 anos. Foi a última vez porque um soterramento impediu que Santos retornasse para casa como fazia diariamente. Ele faleceu quando atuava no que melhor sabia fazer: a construção de fossas sépticas. O acidente de trabalho ocorreu por volta das 14h20 de anteontem. Entretanto, o corpo de Santos foi resgatado pouco antes do meio-dia de ontem. Para os familiares foi um calvário esperar por cerca de 22 horas.

Acostumados com a rotina de trabalho intenso de Santos, ninguém imaginava o risco a que o corajoso pedreiro se expunha diariamente. Segundo o filho Marcos Antonio dos Santos, 32 anos, o pai construiu a grande maioria das fossas dos residenciais Paineiras e Samambaia.

Santos era experiente, cuidadoso e caprichoso, o que lhe rendia novos trabalhos. Nos últimos 10 dias, se dedicou a escavar os 10 metros da fossa na residência 4-25 da avenida Saul Silveira, no Jardim Paineiras. Conforme informações, foi ele quem construiu as duas fossas - séptica e sumidouro -, que estavam em uso no imóvel. Trabalhava como autônomo com um único ajudante, João Baptista Antero, 51 anos, de quem era amigo de longa data.

Antero - que mora a duas quadras de distância da casa onde vivia o pedreiro, na rua Lázaro Rodrigues, no Jardim Europa - foi a única testemunha ocular do acidente. Resistente em conceder entrevista à imprensa, ele não quis opinar sobre o que pode ter provocado o deslizamento que vitimou o colega.

Mas contou que, na tentativa de socorrê-lo, chegou a sofrer uma leve fratura em dois dedos da mão direita, que já foram devidamente imobilizados. “Quando eu vi a terra desabando, não deu tempo de fazer nada. Foi como um vulcão. Do jeito que eu pude, tentei tirá-lo de lá. Ele era um grande amigo, sempre esteve perto quando eu precisei, mas dessa vez não consegui ajudá-lo”, relembra, emocionado.

Um amigo da família conta que Santos costumava deixar a casa logo cedo e voltar no final da tarde. Ao chegar do trabalho, o pedreiro costumava ir pescar.

O filho Marcos comentou que o pai era uma pessoa alegre e feliz. Era nascido no município de Lagoa do Ouro, em Pernambuco, e residia em Bauru há cerca de 50 anos. Ele e a esposa Maria de Fátima Gerônimo dos Santos formaram uma família unida e grande. O casal tinha oito filhos.

Atordoados com a morte repentina de Santos, os filhos evitaram comentar o incidente. Ele foi velado na sala 1 da Funerária São Vicente e o corpo sepultado no cemitério do Jardim Redentor, por volta das 16h de ontem.

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