O Conselho Nacional de Educação criou uma resolução, de número três que dá diretrizes para a Educação Escolar Indígena Diferenciada Intercultural e Bilingüe funcionar no âmbito da Secretaria de Educação do Estado. Para cumprir as diretrizes, cada aldeia teve que formar seus próprios professores. Na primeira etapa, os educadores da região fizeram o curso de magistério, nível médio em Bauru. Na segunda etapa, foram para a Universidade de São Paulo (USP) cumprir o ensino superior.
Cumprida as etapas, os professores, em tese, estariam aptos a educar os índios com uma grade curricular semelhante ao das escolas urbanas. Mas, os professores sentem dificuldades, até porque não dominam o inglês como deveriam, explica a pedagoga e chefe do setor de Educação da Funai, Ivanilde Pereira. “Em todas as aldeias, ocorre a mesma dificuldade. O assunto será levado à Conferência Regional Sul/Sudeste. Talvez um curso complementar ajude na empreitada.”
Segundo ela, não são todas as aldeia do Estado de São Paulo que implantaram o ensino da língua inglesa por uma série de dificuldades. “Os professores precisam ser capacitados. Quando houver a capacitação, as quatro aldeias de Avaí serão beneficiadas. Cada uma delas tem cinco a seis professores, todos precisam de mais conhecimentos para trabalhar essa modalidade.”
A pedagoga explica que, além do currículo normal, nas escolas índigenas a cultura faz parte da grade. “Eles aprendem artesanato e cultura voltada à cada uma das etnias. Os terenas usam argila no artesanato.”
Para o chefe do posto indígena Kopenoti, Edenilson Sebastião, conhecido por Chicão Terena, apesar do acompanhamento que a diretoria de ensino está dando aos professores indígenas, eles ainda sentem dificuldades. “É normal, as dificuldades. Eles já falam duas línguas e estão ensinando mais uma. Os jovens que cursavam a 5a série em Avaí já estudaram inglês e não estão sentindo dificuldades.”
Chicão frisa que o ensino da língua inglesa é básico e tem material de apoio.“Os professores ainda precisam de mais conteúdo. É uma discussão nacional que vai acontecer em Curitiba. Lá cada uma das aldeias apresentará suas dificuldades e propostas.”
Na aldeia Kopenoti são 40 alunos que freqüentam da 5ª a 8ª série. “Eles estão aprendendo algumas palavras. São adolescentes de 12 a 16 anos.”
O chefe acredita que a comunidade indígena não pode ficar distante do ensino das escolas não indígenas. “Nossa escola tem computador. Acredito que aprendendo inglês, os jovens poderão entender muitas palavras e assim acessar a tecnologia. Outros jovens, pretendem cursar a universidade e na disputa por uma vaga vão perder espaço para quem estudou nas escolas não indígenas.”