Internacional

Chrysler pede concordata e assina acordo com Fiat, confirma presidente Barack Obama


| Tempo de leitura: 3 min

Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou ontem que a montadora Chrysler fechou acordo com a italiana Fiat, como previsto. Ele também disse que a companhia americana vai mesmo recorrer à proteção do “Capítulo 11” da Lei de Falências americana - o equivalente à concordata.

Em breve pronunciamento, Obama disse que apoia o plano da Chrysler de buscar uma reestruturação “rapidamente” através da concordata e destacou que a GMAC, que hoje é de propriedade conjunta da rival GM (General Motors) e da Cerberus Capital Management (grupo controlador da Chrysler), concordou em financiar as novas vendas da Chrysler. Segundo o presidente, “foram dados os passos necessários’’ para dar à empresa “uma nova força vital’’.

Pela manhã, um funcionário da Casa Branca informou que a montadora optou pela concordata depois que um grupo de fundos credores rejeitou a última proposta de reestruturação da dívida feita nesta madrugada - uma das exigências do governo americano para que o grupo não fosse obrigado a recorrer à Lei de Falências.

Pela lei, recorrer ao “Capítulo 11” significa que a empresa reconheceu que não pode quitar suas dívidas e pode ter um prazo para reorganizar suas contas junto aos credores. Caso não consiga quitar suas dívidas por um período pré-determinado, a empresa parte para a falência.

No mês passado, o presidente americano havia dado um mês para que a Chrysler apresentasse um programa de reestruturação em que reduzisse seus custos trabalhistas, equacionasse suas dívidas junto aos credores e fechasse um acordo de parceria com a concorrente italiana Fiat - Obama ofereceu até US$ 6 bilhões para ajudar a financiar a aliança. O prazo acabaria ontem.

O acordo trabalhista saiu na segunda-feira e foi ratificado ontem pelos seus funcionários e pelo sindicato UAW.

____________________

Negociações

Detroit - A montadora norte-americana Chrysler, foi abatida nos últimos dois anos pela queda nas vendas de veículos e pela crise de crédito.

Apesar de semanas de intensas negociações, a Chrysler falhou em conseguir apoio incondicional de seus credores para evitar a primeira concordata de uma grande fabricante de veículos dos Estados Unidos.

O pedido de proteção contra credores, no tribunal de falências de Manhattan, sacudiu toda a indústria automotiva, incluindo rivais e fornecedores da Chrysler.

Como parte do processo de concordata, o governo dos EUA vai conceder um empréstimo de até 3,5 bilhões de dólares, com prioridade em relação a dívidas anteriores, e até 4,5 bilhões de dólares sob outras formas de financiamento.

Alguns dos 3.600 revendedores da Chrysler nos EUA devem fechar as portas e o braço financeiro da montadora vai parar de fornecer empréstimos para novos carros e caminhões. Em vez disso, a GMAC, unidade da General Motors, irá conceder empréstimos às concessionárias Chrysler.

A montadora foi fundada em 1925 por Walter P. Chrysler. Três anos depois, a companhia foi a pedra fundamental para o Chrysler Building, que durante um breve período foi o edifício mais alto do mundo e ainda hoje é uma marca entre os arranha-céus de Manhattan.

Não é a primeira vez que o governo norte-americano apóia a Chrysler. Em 1980, o então presidente dos EUA Jimmy Carter assinou uma lei fornecendo mais de 1 bilhão de dólares em empréstimos à empresa.

Comentários

Comentários