Esportes

‘Rivais’, sogro e genro contam suas histórias

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

João Teodoro e José Carlos Teixeira, além da rivalidade em família, compartilham boas histórias relacionadas aos times do coração. O santista viu Pelé de perto em um salvamento de torcedores. O segundo foi de Kombi assistir ao Corinthians eliminar o Fluminense, em pleno Maracanã, nas semifinais do Campeonato Brasileiro de 1976, nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar. Foi mais um na invasão corintiana.

Teodoro lembra com carinho da única vez que viu Pelé em ação. Foi nos anos 70, em São José do Rio Preto. “Sou da região de Andradina, Ilha Solteira. Fui ver o Pelé jogar já no final da carreira dele, em São José do Rio Preto. Foi contra o América, que tinha um time bom pra caramba. Tinha um ponta, um tal de Tião Quelé. Quando ele entrava no segundo tempo, não me lembro de um jogo que passou sem marcar um gol”, recorda.

Teodoro conta que seu Santos também foi vítima do talismã americano. “Neste dia, ele fez gol também. Quem era o lateral-esquerdo do Santos? O Rildo. Eu falei: ‘é brincadeira’. Quando eu vi o cara (Quelé) aquecendo, eu sou gordo e o cara era um pouquinho mais que eu. Pensei: ‘esse cara fazer gol no Santos?’ Mas não deu outra. Na primeira, ele deu um drible da vaca no Rildo. Estava 1 a 0 para o Santos e ele empatou em 1 a 1”, lamenta. O placar permaneceu inalterado até o fim da partida.

Neste mesmo jogo em Rio Preto, Teodoro relembra um incidente sério, que fez com que ficasse próximo de Pelé na única vez em que viu o ídolo atuar. “Tocaram fogo atrás do estádio e dava a impressão de que o fogo estava saindo da arquibancada. O pessoal levantou todo para ver, derrubou o alambrado e foi um alvoroço. Aí, eu cheguei a ver o Pelé de perto, porque ele estava ajudando a socorrer as pessoas. Vi o Rei de perto”, lembra.

Já Teixeira conta com muito humor uma das aventuras em que se meteu para acompanhar seu time do coração. Foi em 1976, na célebre invasão corintiana no Maracanã, nas semifinais contra o Fluminense. “A gente tinha um grupo de amigos, maioria de corintianos, mas foi são-paulino, santista, tudo junto para sofrer. Eles foram para torcer contra. Tinha uns caras que nem eram corintianos e viraram no dia. Tinha uns caras que eram palmeirenses, outros santistas e disseram ‘este que é o time’”, garante. “Foi uma festa”, recorda.

Teixeira narra a “odisséia” dos bauruenses em uma Kombi até o Rio de Janeiro. “A gente tinha 18, 19 anos na época. Tinha um amigo que tinha uma perua Kombi velha. Deu meio-dia e estávamos tomando cerveja no Bar do Mauro, que era a sede do Parquinho: ‘Vamos para o Rio assistir ao jogo? Vamos embora’. Montamos na Kombi e fomos. Escrevemos Gaviões de Bauru na perua, que era branca, escrevemos de preto e fomos embora. Sem ingresso, sem nada”, diz. No Rio, desventuras na praia. “Chegamos lá 5h da manhã, fomos direto para a praia, aquela onda de cinco metros, com bandeira vermelha. Entramos no mar, tudo capiau, tomamos um caldo, voltamos para a areia tudo arregaçado...”, diverte-se.

No Maracanã, outro banho, de chuva, e a classificação para fazer a final com o Internacional. “Juntou torcida do Botafogo, Vasco, tudo torcendo para nós. O maior Carnaval da avenida Copacabana até o estádio. Só festa. Compramos os ingressos dos cambistas. Chegou a tarde e caiu a maior chuva, chegamos ao Maracanã já estava escuro. Mas foi legal demais”, conclui.

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