Internacional

Egito manda sacrificar 300 mil porcos no país


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Cairo - Ao menos 12 pessoas ficaram feridas ontem em violentos confrontos entre criadores de porcos e policiais que deveriam levar os animais para o sacrifício, em Cairo (Egito). O governo egípcio anunciou o sacrifício de todos os porcos do país por temor de um surto de gripe suína, embora a doença, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), não seja transmitida pelo consumo de carne de porco cozida.

Cerca de 400 moradores do bairro de Manchiyet Nasr, em uma colina da capital egípcia, jogaram pedras e garrafas contra os oficiais. Os policiais responderam com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Segundo o chefe de segurança do Cairo, general Ismail Shaer, 14 pessoas foram presas e sete policiais estavam entre os feridos pelos protestos.

O governo egípcio ordenou o sacrifício dos cerca de 300 mil porcos criados no país, apesar de nenhum caso de gripe suína ter sido registrado no Egito.

A decisão foi muito criticada e a OMS destacou que não existem provas da transmissão do vírus da gripe, oficialmente denominado influenza A (H1N1), do porco ao homem.

A Organização Muncial de Saúde Animal (OIE) também criticou a medida. “A OIE avisa seus membros que o abate de porcos não irá ajudar a prevenir contra os riscos à saúde pública ou animal representados por este novo vírus ‘influenza’ A/H1N1, e tal ação é inapropriada.”

A agência, que reúne 174 países, defendeu que os países voltem seus esforços para a vigilância sanitária e o reforço da biossegurança. Tanto a OIE quanto a FAO disseram que o mundo precisa repensar o uso do termo “gripe suína” para descrever o vírus, que contém DNA de vírus humanos, suínos e aviários.

As autoridades egípcias afirmaram que a medida era de higiene que uma precaução. O objetivo, segundo o Cairo, seria sanear as criações insalubres de membros da minoria cristã do Egito.

O consumo e a criação dos porcos no Egito é restrito a uma minoria cristã. Os muçulmanos não consomem carne de porco. Em 2008, o presidente Hosni Mubarak havia ordenado que todos os porcos e frangos fossem retirados de regiões populosas por questões de higiene. A ordem, contudo, nunca foi implementada.

O Egito foi um dos países atingidos pela epidemia de gripe aviária que matou dezenas de pessoas nos últimos dois anos. Em 2007, quando houve o surto da doença, 25 milhões de aves foram mortas e novos padrões para criação de frangos foram estabelecidos.

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