Saúde

Toques e retoques

Consultoria: Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 4 min

Você come problemas?

Prezado leitor,

Quem nunca passou mal de tanto comer nessa vida? Ás vezes nem estamos com fome e sentimos necessidade de mastigar sem parar. Parece que tem um urso dentro da gente. Algumas pessoas são totalmente diferentes desse perfil. Elas sentem um nó na garganta e não conseguem ingerir nenhum alimento quando estão ansiosas.

As alterações inesperadas no emprego, a freqüência a restaurantes e comemorações podem desencadear uma ingestão excessiva de alimentos. As emoções, no entanto, também podem fazer com que você, de fato, mude seus hábitos alimentares.

Para alguns, a comida pode ser uma maneira de amenizar as sensações negativas, como o estresse, o nervosismo, a depressão, o desânimo e a solidão. Esses estados negativos podem ser causados por qualquer coisa, desde grandes acontecimentos até pequenas coisas do dia-a-dia. Embora os alimentos possam fornecer algum alívio imediato, eles podem levar a costumes nada saudáveis de comer em resposta à fome espiritual e não fisiológica.

Os obesos não comem necessariamente a mais. Eles comem mais alimentos hipercarboidratados, ou seja, ricos em carboidratos, como açúcares, chocolates, doces e salgados muito industrializados, ricos também em gorduras do tipo trans. Em conseqüência, se a pessoa é muito perfeccionista e sobrecarregada e as coisas não saem como desejado, come para compensar as emoções negativas do dia-a-dia e pode desenvolver aumento de peso e risco cardíaco elevado.

Identificou-se com esse perfil? Julga-se compulsivo? Saiba que é possível recuperar o controle dos hábitos alimentares. Basta estar disposto a mudar de vida e fazer algo por você antes que seja tarde. Você está no comando e você é o patrão de você mesmo.

Aborrecimentos diários

Algumas mudanças em nossas vidas podem desencadear a compulsão alimentar, como a falta de trabalho, doenças na família, brigas conjugais e carência afetiva ou sexual. É importante salientar que qualquer alteração em nossa rotina é motivo de desarranjo emocional.

Uma ligação com a felicidade

Quando você ingere algumas guloseimas, como chocolate, seu organismo dá uma sensação de bem-estar. Essa recompensa pode reforçar a preferência por alimentos que estão mais intimamente ligados a algumas emoções.

A comida também pode ser um entretenimento. Se você está tenso com algo que tem a fazer, ou pensando numa discussão que teve pela manhã, comer alimentos confortantes pode relaxar. Mas essa sensação é apenas temporária. Enquanto você está comendo, seus pensamentos podem estar focados no gosto agradável do alimento. Infelizmente, quando você acaba de comer, suas atenções se voltam às preocupações e você tem que agüentar o peso adicional de ter comido demais.

Fome física versus fome emocional

Desânimo e falta de vontade nos levam a escolher alimentos lúdicos, como sanduíches com muitos ingredientes, sorvetes com cobertura, comidas coloridas e docinhos de festa que dão a falsa sensação de graça à vida. Nervosismo e rancor pedem alimentos crocantes, que precisam ser mastigados com força e energia.

Depressão, ansiedade e falta de carinho ou sexo pedem chocolates e doces macios, que são fáceis de ingerir e causam tranqüilidade momentânea. Tristeza, agonia e estresse levam a beliscar alimentos miúdos o dia inteiro. A intenção é encher a boca para desviar o pensamento daquilo que realmente o aflige.

O que fazer?

Com o passar do tempo, o hábito alimentar relacionado à ansiedade e ao cansaço não é saudável. Se você acha que tem depressão, procure um médico psiquiatra ou um psicólogo. Se você acha que está com estresse, siga essas dicas que vão ajudá-lo a evitar as conseqüências nocivas da compulsão alimentar.

• Tenha uma rotina e coma sempre no mesmo horário;

• Se após poucas horas você se alimentou e sente fome novamente, espere um pouco e tome um copo cheio de água gelada que a vontade passa;

• Faça um diário alimentar. Anote tudo o que comer, a quantidade e o que sentiu em cada momento;

• Tenha eventos agradáveis. Planeje lazer para si mesmo;

• Evite ter alimentos muito carboidratados em casa. Em casos de desespero, tenha em mãos doces ou sorvetes em versões light. Atenção: não é por ser light que se pode consumir mais;

• Faça qualquer atividade física ao menos duas vezes por semana. Se não tiver tempo, separe-as para os finais de semana. Você se sentirá mais descansado e em forma;

• Se tiver uma recaída às comilanças, perdoe-se. Reinicie sua dieta no outro dia urgentemente.

• As oscilações fortes de humor podem desencadear a vontade de comer. Resolva seus problemas. Organize sua vida. Isso será fundamental para mudar seus hábitos. Procure ajuda de seu médico como também de seus familiares e amigos. Nunca deixe o lazer de lado. Aproveite a vida com saúde e beleza. Você merece!

Um grande abraço e até o próximo domingo, Daniela Hueb

Médica, CRM-SP 96.027 - e-mail:danielahueb@jcnet.com.br

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