“Eu procuro um amor que ainda não encontrei, diferente de todos que amei...” A música ‘Segredos’, do cantor e compositor Frejat, fala sobre o amor eterno e verdadeiro tão procurado pelo ser humano que, de acordo com a psicóloga Maria Lúcia Bien, vive conflitos e angústias diante da falta de comprometimento e respeito das relações modernas tidas como “descartáveis”.
Em decorrência do desenvolvimento tecnológico, da liberdade sexual e do papel mais ativo da mulher na sociedade, os relacionamentos também sofreram alterações. Atualmente, as pessoas realizam suas escolhas e transitam pelas relações amorosas com liberdade e autonomia.
Segundo Bien, o passado foi marcado pela repressão, mas por outro lado, desfrutava-se de momentos intensos nas relações amorosas desde a paquera ou flerte, namoro, noivado e o casamento. Ela afirma que grande parte das pessoas busca viver paixões intensas e, ao acabar esse sentimento, procuram novas paixões, pois preferem manter relacionamentos rápidos e desfrutar das emoções prazerosas do início.
Por outro lado, há aqueles que buscam iniciar uma relação amorosa com a intenção de dar continuidade à esperança de viver um grande amor. Como a estudante de fisioterapia Beatriz Moraes, por exemplo.
Aos 26 anos de idade, a moça já teve um namoro sério que durou cerca de quatro anos e acabou, segundo ela, por imaturidade dos dois. “Acho que a base para um relacionamento é a confiança. Acredito que quando confiamos em alguém, tudo é superável”.
Solidão e ‘volta por cima’
Com o término do namoro, a jovem diz que criou um certo bloqueio para relacionamentos. Não saía de casa e chegou a ter depressão. “Eu estava passando por alguns problemas na época e ter sido traída e ficado sem o namorado que me apoiava bastante, naquele momento, foi um passo para a depressão. Passei por acompanhamento médico por dois anos, fui medicada e hoje estou muito bem”, comemora.
Maria Lúcia Bien explica que pessoas carentes e dependentes afetivamente precisam aprender a lidar e enfrentar a situação para que possam desfrutar de relacionamentos saudáveis e dar valor à própria companhia. “Somos grandes parceiros de nós mesmos, e descobrir essa realidade promove saúde física e emocional”.
Foi o que aconteceu com Beatriz. Ela se cuidou e passou a ser feliz sem estar, necessariamente, namorando. “Hoje descobri que a felicidade está dentro de mim e não em outra pessoa. Mas, claro, sinto falta de ter alguém”, confessa.
Para ela, programas que geralmente são feitos por casais como idas ao cinema ou assistir a um filme no aconchego do lar, são os que mais fazem falta na vida de solteira.
Além disso, a estudante conta que o fato de não ter aquela pessoa íntima para se abrir sobre problemas também a entristece um pouco. “O que mais falta na vida de solteiro é o companheirismo que existe entre os namorados”.
____________________
Príncipe encantado
“Acredito que ainda vou encontrar o meu (príncipe)”, diz Beatriz Moraes. Sair, dançar e se divertir com os amigos faz parte das horas de folga da garota. Mas na hora de ficar de ‘rolinho’ na balada, ela não gosta não! A estudante não acredita nessa história. Para ela, ou o casal assume o relacionamento, ou não dá continuidade. “Hoje em dia, o namoro sério e verdadeiro está muito difícil. Não dá para ter alguém apenas por dizer. Preciso de uma pessoa bacana e que queira compartilhar todos os momentos”, afirma.
Existem pessoas que não conseguem ficar sozinhas devido à dependência emocional que sentem e, ao manter-se num relacionamento, buscam energia para viver. Para a psicóloga Maria Lúcia Bien, essas pessoas canalizam o prazer de viver apenas nas relações amorosas e têm necessidade do outro para dar continuidade aos demais projetos da vida. “Dessa forma, na maioria das vezes, possuem dificuldade em terminar relações destrutivas por medo e desespero da solidão.”
O que não é o caso de Beatriz Moraes. Ela diz que, com a idade, as mulheres acabam ficando mais exigentes na busca pelo verdadeiro companheiro. Talvez isso aconteça pelas experiências e decepções vividas em relacionamentos anteriores.
A espera pode até ser longa, mas ela não desiste de encontrar o seu “príncipe encantado” porque acredita no amor e no sonho de construir uma família. “Assim, busco uma pessoa que tenha os mesmos objetivos, ou seja, meu príncipe encantado precisa sonhar com casamento e em ter uma família.”
Ela diz que seus objetivos mudaram. Há alguns anos esperava atenção, paparico e diversão de um namorado. Hoje, a fidelidade e o companheirismo são os elementos que considera mais importantes. “Aprendi com meus pais que casamento é para sempre, e trago esse pensamento comigo.”
____________________
Quando o namoro acaba, mas o amor não!
Planos, sonhos e as lembranças dos momentos felizes. Tudo parece desmoronar junto com as lágrimas quando um namoro acaba e o amor permanece. Nesse instante, as alegrias e o sentimento da dor da perda são os que mais ficam rondando a memória.
“Uma vez ele chegou em casa de moto com um saco preto, desses de lixo mesmo e todo emendado para ficar bem grande, amarrado com fita larga e jogou no quintal dizendo que era para mim. Achei estranho. Mas fui abrir. Quando rasguei o saco, dezenas de bexigas vermelhas no formato de coração voaram em direção ao azul do céu. E no fundo do saco, havia um bichinho de pelúcia. Isso me marcou muito”, lembra a publicitária Priscila Pedrassani, 25 anos.
Há poucos meses ela terminou um namoro de oito anos e sente falta, principalmente, da companhia, carinho e amizade que um namorado oferece.
Maria Lucia Bien é psicóloga e terapeuta sexual. Ela aponta o ciúmes, a possessividade, o machismo ou feminismo exagerado, o egoísmo e o materialismo como os principais elementos que podem provocar discórdias e tornar a relação pesada a ponto de chegar à separação. “As pessoas estão cada vez mais individualistas e acabam esquecendo que, para viver melhor, é preciso aprender a receber e a se doar, lembrando que ser feliz também é ver o outro feliz”, explica a especialista.
Priscila entende que saber respeitar e aceitar as diferenças do outro é complicado. Mas sabe que, para saborear as delícias de um namoro saudável como planos, sonhos e a companhia um do outro, vale a pena abrir mão do egoísmo e do orgulho.
“Para mim, a vida de solteira é vazia. Se me perguntam se o amo, eu respondo que nem sei explicar o quanto, e que ele foi a primeira pessoa que eu permiti amar a ponto de fazer valer a pena, em cada coisa que passamos juntos”, emociona-se.
____________________
Movimento dos SEM namorado?
Sim, ele existe e teve início no Parque do Ibirapuera na manhã do dia 17 de maio. Cerca de três mil solteiros uniram-se na cidade de São Paulo munidos de faixas com dizeres como: ‘Cansei de ficar sozinho’ e ‘Namoro já’, além de bilhetinhos com telefone e panelas vazias para achar a tampa. Tudo feito em tom de brincadeira, mas com um intuito muito sério: desencalhar e arrumar um namorado (a) antes do dia 12 de junho.
E por incrível que pareça, entre os gritos de: “ado, ado, ado, eu quero um namorado” e “inho, inho, inho, cansei de ser sozinho”, cerca de 53 casais foram formados durante a passeata. Basta saber se o namoro se consolidará!