Fernando de Noronha - Os corpos resgatados pela Marinha devem chegar amanhã a Fernando de Noronha para iniciar o processo de identificação. Peritos da Polícia Federal e da Polícia Científica de Pernambuco vão colher o material genético e impressões digitais.
Também serão feitas fotografias das pessoas e dos objetos pessoais, como roupas, brincos ou mochilas, para serem enviadas aos parentes.
A estrutura montada pela Aeronáutica conta com um galpão, dois contêineres refrigerados e materiais necessários para uma primeira identificação. Segundo o perito da PF Jeferson Evangelista, coordenador da equipe, oito especialistas foram enviados a Noronha para acelerar os trabalhos.
O DNA coletado será analisado no laboratório de genética forense do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília. A depender do estado em que os corpos forem encontrados, os peritos podem colher impressões digitais e analisá-las no sistema Afis (banco de dados de impressões digitais) da Polícia Federal.
Após a pré-identificação em Noronha, que deve durar algumas horas, os corpos serão encaminhados a Recife para a realização das necropsias.
A equipe enviada a Noronha é composta de dois peritos de medicina, dois de odontologia, um de DNA, um médico legista, dois papiloscopistas e um auxiliar em necropsia.
No Rio, peritos da PF começaram a colher saliva, cabelo e sangue de familiares das vítimas.
Os parentes foram entrevistados por agentes da PF para tentar identificar também a estatura, cicatrizes, próteses, tipo de cabelo e até a roupa que o passageiro usava no dia do embarque.
A Interpol ficou responsável pela coleta de informações, de modo padronizado, das vítimas estrangeiras.
Missa
Cerca de mil pessoas compareceram à missa, realizada em Porto Alegre (RS), em homenagem ao cirurgião plástico Roberto Corrêa Chem, à esposa dele, Vera Chem, e à filha do casal, Letícia Chem, vítimas do voo AF 447 da Air France. A celebração aconteceu na Igreja da Ressurreição, no Colégio Anchieta, na Capital gaúcha.
No final da cerimônia, o também médico Eduardo Chem, filho de Roberto e Vera, emocionou-se ao agradecer o apoio recebido de amigos, familiares e colegas de trabalho.
Cauteloso, ele preferiu não se manifestar sobre a descoberta dos primeiros corpos e evitou alimentar a esperança de sepultar os pais e a irmã.
As três vítimas embarcaram no voo 447 da Air France, que partiu do Rio de Janeiro com destino à Paris, para iniciar o período de férias, que culminaria com a estadia na Grécia.