Turismo

Pernambuco

Por AE | Com Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Atenção, pessoal: foi dada a largada para a festa. Quando junho chega, a palavra mais falada nos Estados nordestinos, e em especial em Pernambuco, é São João.

É assim que os moradores e os forasteiros se referem às festas regadas a muita comida típica, música e dança, que rasgam o mês todo numa alegria sem fim.

Época para reverenciar Santo Antônio, São João, São Pedro - e dependendo do Estado, outros santos não tão conhecidos, como São Marcos - e comemorar a vida.

Caruaru, a cerca de duas horas de Recife, é famosa mundialmente por fazer um São João para gringo e brasileiro cair de queixo. Se a sua viagem a Pernambuco estiver marcada para este mês, saiba que será “redondinha”. Incluindo dias de sol e de calor, festança e abastança no Interior e passadinhas pelos pontos turísticos da Capital, Recife.

Confira o roteiro para sua viagem. E se apresse, bichinho, para não perder o trem do forró!

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Recife: entre pontes e casarões

A principal porta de entrada é a Capital, Recife, cidade de aproximadamente 1,5 milhão de habitantes cujo centro velho - o chamado Recife Antigo - foi construído sobre aterros em áreas de mangue, na época da invasão holandesa, no século 17. O Rio Capibaribe, o principal do município, aparece aqui e ali - quem se animar pode até fazer um passeio de catamarã por ele.

A região do Recife Antigo tem trânsito intenso, por isso, deixe o carro e explore tudo a pé. É a melhor forma de ver os detalhes das construções históricas. Vá até o Marco Zero, construído no início do século 20, nos moldes da arquitetura parisiense. Dali partem as avenidas Marquês de Olinda, Rio Branco e Barbosa Lima.

Também é possível observar o Parque das Esculturas, com obras produzidas pelo artista pernambucano Francisco Brennand. Com 32 metros de altura, a Coluna de Cristal é a que mais se destaca.

Os bairros Santo Antônio, São José e Bela Vista também devem entrar no tour. Fundados no século 17, é lá que estão atrações históricas importantes, como a Praça da República, o Pátio São Pedro e a maior parte das igrejas antigas.

Outro importante ponto de encontro da cultura popular recifense são os mercados. O principal é o São José (Praça D. Vidal, s/nº), cuja estrutura foi pré-fabricada em ferro e trazida da Europa para a Capital pernambucana no fim do século 19.

O projeto, de 1871, foi inspirado no mercado de Grenelle, de Paris. São 46 pavilhões, com um pouco de tudo: de peixes, frutos do mar e temperos aos mais diversos souvenirs e peças de artesanato.

A cena cultural recifense é variada: há shows, peças teatrais, encontros musicais... Fique atento à programação gratuita pelo site oficial: www.prefeitura.pe.gov.br.

Entre as praias, a de Boa Viagem é a mais conhecida e turística. Nunca é demais lembrar, no entanto, de alguns cuidados para evitar o ataque de tubarões: nada de banhar-se quando a maré estiver alta e nunca ultrapassar os arrecifes. Há placas com orientações aos visitantes em toda orla.

Logo ao lado

A vizinhança da Capital também é das melhores. A cerca de sete quilômetros do Recife está Olinda, com suas ladeiras de paralelepípedos, casinhas coloniais do século 17 e igrejas históricas. A proximidade entre as duas cidades faz com que seja viável escolher qualquer uma para se hospedar - tudo depende do gosto do visitante. A vantagem é poder explorar ambas igualmente, indo e vindo quantas vezes quiser.

Se durante o Carnaval as ruas ficam totalmente tomadas por foliões, fora dessa época a Cidade Alta - onde se concentram as construções históricas - apresenta a típica calmaria das cidades do Interior. A multidão desaparece como que por encanto - e o turista pode enxergar os detalhes arquitetônicos que fazem de Olinda Patrimônio da Humanidade.

É preciso fôlego para certas ladeiras, como a da Misericórdia, rumo ao Alto da Sé. Ali ficam as barracas das tapioqueiras, que chegam ao entardecer. A vista compensa o esforço: além de uma panorâmica da cidade, vê-se uma parte do Recife.

Mesmo fora do período de Carnaval, a magia da festa continua em Olinda. Vale a pena passar no ateliê de Silvio Botelho, criador da maior parte dos bonecões que desfilam por lá. Fica na Rua do Amparo, 45.

O calor, úmido e abafado, faz com que, à noite, o lugar das cadeiras seja nas calçadas. E ali ficam os moradores a observar o movimento dos turistas, com a brisa fresca batendo no rosto, enquanto o céu estrelado se abre sobre eles... Entendeu agora porquê é impossível deixar Pernambuco sem sentir uma vontade louca de voltar correndo?

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