O Caminho de Peabiru foi um golpe na vida de Hernâni Donato, mestre dos historiadores paulistas e brasileiros. Aos 24 anos, deixou namorada e o curso que o transformaria em diplomata na tentativa de reconstituir a rota. Hoje, aos 86 anos, lembra que almejava a diplomacia, quando um professor pediu um trabalho sobre o governador da capitania de São Paulo, dom Luís Antônio de Sousa (Morgado de Mateus) e o presídio de Iguatemi, no Mato Grosso.
“Fui buscar mapas que pertenceram a Morgado de Mateus. Ele projetou fundar cinco vilas, uma das quais seria Botucatu. Mas isso não aconteceu. Esse mapa para mim foi uma revelação, porque ele falava exatamente do Peabiru, lugares que eu havia brincado em menino”, conta Donato. Rapidamente, organizou uma equipe e passou a estudar o assunto, capaz de atrair sua atenção ainda hoje.
Hernâni Donato nasceu em Botucatu em outubro de 1922. É escritor, historiador, jornalista, professor, tradutor e roterista brasileiro. Ocupa a cadeira número 1 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e, desde 1972, a cadeira número 20 da Academia Paulista de Letras. Durante sua carreira literária, que começou aos 12 anos, recebeu mais de dez prêmios. Ainda criança, escreveu com Francisco Marins o romance infantil O Tesouro.
Em São Paulo, estudou dramaturgia na Escola de Arte Dramática e sociologia. Depois, ainda se aventurou na tal expedição que desbravaria o Caminho de Peabiru. Foi presidente, em duas gestões sucessivas, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. É membro da Academia Paulista de História, sócio-correspondente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
Colaborou com várias revistas e jornais, atuou na TV Tupi, TV Record. Foi funcionário público municipal e federal e participou de vários programas culturais. Entre livros infantis, juvenis, de história, biografias, contos, romances, ensaios e traduções, tem mais de 40 obras. Algumas tornaram-se roteiros de cinema.