Depois do susto na estréia, quando teve uma vitória sofrida sobre o Egito, a seleção brasileira voltou a jogar bem ontem. Mesmo poupando alguns titulares, o Brasil ganhou com facilidade dos Estados Unidos, por 3 a 0, no Estádio Loftus Versfeld, em Pretória, e ficou muito perto da vaga nas semifinais da Copa das Confederações.
Com a sua segunda vitória, o Brasil passou a liderar sozinho o Grupo A, com seis pontos. Tem três a mais do que Itália e Egito - no outro jogo de ontem, os egípcios ganharam dos atuais campeões mundiais por 1 a 0. Assim, para ir à semifinal, a seleção brasileira ainda precisa de um empate com os italianos no domingo, quando acaba a primeira fase.
Diante de uma frágil marcação e da inocência tática do adversário, a seleção brasileira fez o que bem quis dos Estados Unidos. Deu pena ver os norte-americanos atônitos em campo. Tudo começou no setor direito do ataque brasileiro. O meia Ramires, bem mais contundente que Elano - um dos poupados por Dunga -, sofreu duas faltas em menos de cinco minutos. Na primeira, o lateral Maicon bateu e a zaga norte-americana tirou. Na segunda, não teve jeito. Aos 6, o mesmo Maicon cruzou para o volante Felipe Melo escorar de cabeça e fazer 1 a 0.
Após o baque do gol, os norte-americanos ficaram ainda mais perdidos. Pareciam grogues ao som das infernais vuvuzelas (cornetas), que os torcedores sul-africanos não param de tocar nos estádios de futebol. Os Estados Unidos pareciam não saber de onde vinha aquele barulho e, muito menos, o tamanho da onda amarela prestes a arrebentar sobre o goleiro Howard.
Assim, com muita rapidez no contra-ataque diante da frágil marcação adversária, o Brasil chegou ao segundo gol. Aos 19 minutos, numa cobrança de escanteio norte-americano, a bola sobrou para André Santos, que passou para Kaká. Ele, então, acionou Ramires, que atravessou o campo inteiro, com incrível velocidade, e só rolou para Robinho marcar 2 a 0 no placar.
Dali até o final do primeiro tempo, a seleção brasileira diminuiu o ritmo para economizar o gás. Ainda havia mais 45 minutos pela frente. Na volta do segundo tempo, o técnico Bob Bradley trocou o meia Beasley pelo atacante Casey. Avançou um pouco o seu time, que respondeu com sinais de melhora. Mas, quando as coisas começavam a clarear para os norte-americanos, o meia Kljestan fez falta em Ramires e foi expulso.
Aí, o Brasil ganhou ainda mais espaço para jogar. Foi a senha para ampliar o placar. Aos 16 minutos, Ramires serviu Kaká, que tocou para Maicon fazer o terceiro, numa bonita jogada do time brasileiro. Assim, acabava de fato o jogo que havia sido definido ainda no primeiro tempo. Depois disso, Dunga tirou Kaká, Luís Fabiano e Lúcio, todos poupados para a seqü'ência da competição.
O enredo do jogo, porém, não mudou mais. Troca de passes entre os jogadores brasileiros à espera do apito final. Enquanto ele não vinha, o velho Loftus Versfeld se viu tomado pelo barulho das vuvuzelas. Pretória foi dormir ao interminável som das cornetas e do estampido da fácil vitória do Brasil sobre os Estados Unidos.