Polícia

Pecuaristas têm ‘cartilha’ contra assaltos

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Cansados da incidência de furtos e roubos de gado na região, e preocupados com novas ocorrências semelhantes no campo, produtores rurais arregaçam as mangas para garantir os próprios meios de defesa de suas propriedades e rebanhos. Apesar de não haver registro de crimes do gênero há pouco mais de um mês, os produtores querem a volta da tranqüilidade ao campo.

Os delitos, que antes se restringiam a invasões sazonais com a retirada de poucas cabeças de gado, se transformou em ação semelhante ao crime organizado, na opinião dos representantes do setor que participaram de uma reunião ontem à noite, na sede do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), de Bauru.

Na oportunidade, foram elaborados os primeiros ditames de uma espécie de cartilha, a qual proprietários de rebanhos considerados de maior vulnerabilidade a roubos e furtos, devem seguir para, ao menos, dificultar as ações das quadrilhas. “A reunião de hoje (ontem) foi apenas entre os representantes (do setor) para a elaboração de uma ação interna, isolada ao trabalho da polícia”, frisa Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru.

Entretanto, antecipa, os produtores continuam à espera de respostas da esfera policial, que enviou representantes a uma primeira reunião, com o mesmo grupo, ocorrida no mês passado, também na sede da Cati. “Queremos informações sobre como andam as investigações”, cobra. No entanto, o representante de classe também destaca ações envolvendo aparato policial. “A Secretaria da Agricultura concordou em fornecer dados sobre propriedades que, em princípio, estariam mais expostas aos crimes. Essas informações serão enviadas à Polícia Militar Ambiental”, enfatiza.

Mediante esse raio x, os pecuaristas que estiverem em estado de maior vulnerabilidade, acentua, tomariam as providências especificadas na cartilha.

Apesar do período sem roubos e furtos nas propriedades rurais, o presidente do sindicato afirma que não é hora de baixar a guarda. “O proprietário rural ainda não está acostumado a ser roubado. É preciso que se crie mecanismos de defesa. Não podemos nos acomodar com essa trégua. Nem nós e nem a polícia”, enfatiza.

Medo

Presente à reunião, um pecuarista de Avaí conta que sua propriedade já foi alvo de cinco invasões criminosas. Apesar da constância, o pecuarista, que terá sua identidade mantida em sigilo, se manifesta “conformado” em perder ‘apenas’ parte do rebanho. “Boi a gente compra de novo. O medo mesmo é de ter um revólver apontado para nossa boca”.

Desde março, foram registrados cinco roubos de gado em propriedades rurais da região, nos municípios de Bauru, Piratininga e Lençóis Paulista. Todas as ações envolveram a coação de reféns. Ao todo, foram roubadas 428 bois, contabiliza o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural.

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