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Mãe de menina morta por agressão aparece

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio de Janeiro - A polícia localizou ontem a mãe da menina de 4 anos que morreu na última sexta com suspeitas de agressão física no hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, na Baixada Fluminense. Maristela dos Santos, 40 anos, foi levada para a DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), no centro do Rio, e depois foi encaminhada para a 36ª DP (Santa Cruz), onde presta depoimento.

A mãe da vítima, que diz sofrer de problemas mentais, aparentou estar lúcida e disposta a colaborar com as investigações, informou o delegado titular da delegacia de Santa Cruz, Aguinaldo Ribeiro da Silva. “A mãe foi ouvida, mas não disse nada porque não estava presente no dia da suposta agressão”, comentou o delegado, que ainda afirmou que investiga se o irmão da vítima foi obrigado a dizer para a polícia que bateu na irmã para tirar a culpa da tia e da prima.

Segundo o delegado, o pai da criança, o austríaco Sasha Zanger, 39 anos, também deveria ser ouvido novamente ontem.

Zanger culpa a Justiça brasileira pela morte da filha. Ele diz que a menina e o irmão dela, de 12 anos, foram trazidos da Áustria para o Brasil pela ex-mulher, brasileira, sem sua permissão em janeiro do ano passado.

Sophie Zanger, 4 anos, morreu na sexta-feira no hospital após ser internada com traumatismo craniano. Há dez dias, ela havia dado entrada desmaiada num posto médico em Santa Cruz (zona oeste do Rio). A polícia investiga se houve agressão por parte de familiares brasileiros. Segundo o advogado do austríaco, Ricardo Zamariola, há suspeitas de que a criança tenha sido espancada e não que tenha levado um tombo como familiares (tia e prima) informaram aos médicos no dia do atendimento no hospital.

“Ela chegou pesando 14 kg no hospital. Estava totalmente desnutrida e ainda com marcas de agressão no corpo. Não acredito que ela tenha caído e sofrido traumatismo craniano. É um caso muito complicado”, afirmou o advogado. Zamariola ainda disse que com a aparição da mãe da vítima, um acordo poderá ser feito para o retorno do filho à Áustria.

Disputa

Zanger, que chegou na quinta-feira ao Brasil para ver a filha, afirma que tenta reaver a guarda das crianças e levá-las para a Áustria desde que a mãe deixou o país.

Maristela Santos foi localizada pelos advogados do austríaco em março de 2008, na casa da irmã que é suspeita de agredir a menina. Em fevereiro, a tia da vítima conseguiu na Justiça a guarda das crianças.

Com a mãe desaparecida e as suspeitas de que a menina estava sendo agredida pela tia e por uma prima de 21 anos, a Justiça transferiu na semana passada a guarda das crianças para a mãe adotiva de Maristela dos Santos, Anayá Rocha.

Abuso sexual

Segundo a polícia, a mãe adotiva de Maristela dos Santos, Anayá Rocha, afirmou que na chegada da filha ao Brasil, a família e os amigos dificultavam o contato das crianças com o austríaco, porque ele foi acusado pela ex-mulher de abusar sexualmente do filho, o que o pai nega.

“Temos que avaliar bem o caso. O próprio menino acusou ele (Sasha Zanger) de abuso sexual no início das investigações. Agora a criança diz que foi ela quem agrediu a irmã e não a tia e a prima”, disse o advogado do austríaco.

Suspeitos são ameaçados

O delegado titular da 36ª DP (Santa Cruz), Aguinaldo Ribeiro da Silva, disse ontem que as suspeitas de espancar Sophie saíram de casa após sofrerem ameaças de vizinhos. Eles saíram de casa porque alegaram que estão recebendo ameaças, mas não estão fugindo, disse o delegado, que ainda afirmou que as duas são “suspeitíssimas”.

Já os vizinhos da família afirmaram que as acusadas fugiram do Estado para não responder pelo crime.

Aguinaldo Silva disse que um vizinho que teria ouvido gritos da menina no dia da agressão deveria prestar depoimento na delegacia ontem ou, no máximo, hoje.

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