Tribuna do Leitor

Jornalismo e a diferença que um diploma faz


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O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu a extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. O que me deixa triste e revoltada é que essa decisão não coube à sociedade e, muito menos aos jornalistas, parte mais interessada. Será que é tão difícil estudar e obter um diploma? Hoje ficou muito mais fácil cursar uma universidade, e todos tem direito.

A minha indignação surge primeiramente porque o jornalismo não é só técnica e difusão da informação. É uma atividade muito mais ampla e que exige qualificação profissional e conhecimento científico, principalmente no campo da Ciência da Comunicação. O jornalista trabalha com a comunicação de uma forma muito mais ampla. Cada notícia sofre um trabalho rigoroso de apuração, escolha de fontes, formatação de proposta (artigo, entrevista, reportagem, matéria) e a decisão de como isso será repassado à sociedade e, acima de tudo, o jornalista é um organizador de conteúdos, no meio de várias informações ele seleciona tudo a ponto de deixá-las muito mais agradáveis e prazerosas para os leitores.

Com a falta de exigência de um diploma, a população ficará refém da baixa qualidade, pois qualquer um poderá legalmente produzir um conteúdo se autointitulando “jornalista”. Não há como produzir uma mídia de qualidade sem ter qualificação.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: como pode outra profissão, ou melhor, outra área do conhecimento, que é o Direito, decidir o que é melhor para o jornalismo? A declaração de Gilmar Mendes (Folha de S.Paulo, 17/6) comparando o jornalismo a atividade de cozinheiro me mostrou o quanto a nossa Justiça é injusta e está desinformada permitindo um retrocesso de aprendizagem monstruoso como esse. Algumas pessoas me disseram que não é o diploma que dará ao jornalista a qualidade necessária para atuar na profissão. Concordo, maus profissionais existem em qualquer área do conhecimento, não só no jornalismo. Mas acredito que o diploma permite que esse profissional, caso cometa alguma irregularidade, seja punido, e não exerça mais o ofício. Sem o diploma, sem lei de imprensa, como fiscalizar o jornalismo? Uma informação transmitida de maneira errada ou equivocada pode provocar danos à sociedade. Depois, a própria sociedade culpa a imprensa de ser sensacionalista ou coisa pior.

Enfim, para mim o jornalismo não acabou com o fim do diploma, e como jornalista espero que as empresas de comunicação contratem apenas jornalistas diplomados para exercer a profissão. Essa decisão mostrou o quanto a sociedade desconhece como se dá a atividade de um jornalista, sendo que estamos lado a lado das pessoas todos os dias. O jornalismo não é só técnica, não é só texto, é também conhecimento. Alguém iria a um médico que não tem diploma, mas que se julga competente porque estudou medicina por conta própria?

Iara Cristina Minatel - jornalista

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