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Quatro em cada cinco idosos sustentam a família, diz pesquisa


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Rio - Quatro em cada cinco idosos são os principais responsáveis pelo sustento da casa onde moram, principalmente nas classes mais baixas, em que a aposentadoria tem um peso significativo na renda familiar. Essa é uma das principais conclusões do estudo Longevidade Brasil, coordenado pelo cientista social José Carlos Libânio, ex-coordenador de desenvolvimento da ONU no País.

A pesquisa entrevistou cerca 2 mil pessoas das classes A, B e C em seis cidades de todas as regiões do País, com exceção da região Norte. Também foram realizados grupos focais e pesquisas etnográficas durante os anos de 2008 e 2009. Segundo Libânio, na classe C, 82% mantém os lares. Na classe A, 76%. “Para as classes mais pobres, o fato de poder contar com uma renda certa e segura, faz toda a diferença. A partir da aposentadoria, a renda se torna constante, o que antes, podia não acontecer porque o trabalho era no mercado informal”, afirmou Libânio.

A pesquisa, patrocinada pelo Bradesco Seguros, mostra que, para os idosos, as piores coisas de envelhecer são: doenças físicas (53%), ser desrespeitado (20%) e a solidão (15%). Por outro lado, 78% discorda que a velhice é um tipo de doença.

Para 73% dos entrevistados, ser idoso é motivo de tranqüilidade. Para 30%, a velhice é sinônimo de preocupação. Três em cada quatro consideram que o melhor de envelhecer é não ter horário para nada.

“O resultado mostra que existe uma mudança de mentalidade da sociedade em curso. Os idosos buscam formas saudáveis de envelhecer, embora façam menos exercícios do que deveriam”, diz Libânio.

A maioria dos entrevistados (80%) concorda que o idoso não é respeitado no Brasil. O desrespeito é maior entre mulheres com mais de 70 anos, da classe C, e que moram em regiões de alta longevidade.

O maior ícone da falta de respeito é o ônibus. Os idosos reclamam que os motoristas não gostam de parar e que os assentos preferenciais são poucos e ocupados por jovens. Nos hospitais, queixam-se de descaso, e, nos bancos, reclamam das “pessoas que olham torto para quem está na fila preferencial”.

“Ser idoso é ser independente e ter de sustentar parentes”, afirma Libânio. “A maioria dos entrevistados mantém-se saudáveis e ativos e independente financeiramente”, resume o cientista social.

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