Nacional

BC: desemprego aumenta até julho, mas cai no fim de 2009

Eduardo Cucolo
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O Banco Central (BC) prevê que a taxa de desemprego deve chegar a um pico de 9,8% em julho e encerrar o ano em 7,6%, de acordo com o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita. O último dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil ficou em 8,8% em maio, praticamente estável em relação a abril (quando a taxa ficou em 8,9%).

No final de 2008, a taxa estava em 6,8%, mas subiu devido à piora na crise internacional de crédito. A média da taxa de desemprego deve ficar em 8,8% neste ano, ante 7,9% no ano passado, segundo o BC. Em maio, o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que o nível de desemprego retornaria ao patamar observado em 2007. Naquela época, esse indicador registrou uma média de 9,3%.

O BC prevê também um aumento da massa salarial de 2,5% neste ano, depois do avanço de 6,9% em 2008. Nos 12 meses encerrados em maio deste ano, cresceu 3,3%. O número não considera a renda do funcionalismo público, aposentados e Bolsa Família. Com isso, o percentual sobe para 3,5%.

O diretor atribui esse crescimento menor à mudança provocada pela crise. “Os rendimentos nominais estavam crescendo em um ritmo muito forte no ano passado e agora mostram uma desaceleração”, afirmou. “Temos uma taxa de desemprego maior que a observada no ano passado, mas muito inferior à média observada no País.”

O Banco Central revisou a projeção de crescimento da economia em 2009 de 1,2% para 0,8%. A nova previsão faz parte do Relatório de Inflação do segundo trimestre, divulgado ontem. O número está um pouco abaixo da estimativa do Ministério da Fazenda, que em março reduziu a previsão de crescimento da economia de 2% para 1%.

De acordo com o BC, a redução na previsão de crescimento reflete uma expectativa de impactos maiores da crise econômica na indústria. A instituição estima uma queda de 2,2% no PIB do setor. A previsão anterior era de um aumento de 0,1%.

A caderneta de poupança deve continuar atraindo um volume cada vez maior de depósitos com a recuperação economia nos próximos meses, segundo o BC. De acordo com a instituição, outro fator que reforça essa trajetória é a política monetária (leia-se, queda na taxa básica de juros). A redução da taxa Selic para os atuais 9,25% ao ano - o menor patamar da história- afetou a rentabilidade dos fundos de investimento, que já perdem para a aplicação mais popular do País.

Em maio, para evitar uma fuga de investidores para a caderneta, o governo anunciou que iria cobrar Imposto de Renda dos valores acima de R$ 50 mil por aplicado a partir de 2010. Além disso, haveria redução no IR dos fundos ainda neste ano. As duas medidas ainda não saíram do papel. Mesmo assim, o BC diz que essas migrações de investimentos “devem ser cuidadosamente monitoradas pelas autoridades”.

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