Porto Alegre - Mais de 50 dias após o País registrar os primeiros casos de gripe suína, o Ministério da Saúde confirmou ontem a primeira morte provocada pela doença. A vítima é um caminhoneiro de 29 anos que estava internado em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
Vanderlei Vial esteve na Argentina a trabalho por sete dias e retornou ao Brasil no dia 19, já com sintomas da doença, como dores no corpo, febre e tosse. Decidiu procurar o hospital no dia seguinte, quando foi internado e teve diagnóstico confirmado. No dia 23, teve piora do quadro respiratório, que evoluiu para pneumonia, insuficiência respiratória e coma.
Mesmo recebendo os cuidados médicos intensivos, ele não respondeu ao tratamento e morreu na manhã de ontem no Hospital São Vicente de Paula.
“Ele apresentou um agravo maior do que os outros casos, é algo raro. Mas a demora em buscar o atendimento teve a sua influência”, afirmou ontem secretário Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra. Não há informações até o momento sobre se Vial apresentava alguma doença que o tornou mais vulnerável à infecção.
Por ter procurado atendimento médico apenas no quinto dia após manifestar os primeiros sintomas da nova gripe, ele não pode ser medicado com o antiviral mais indicado para a doença. Além disso, segundo médicos, ele apresentou uma sensibilidade maior do que a esperada aos efeitos do vírus.
Segundo Terra, o paciente transmitiu a doença para cinco familiares, que tiveram diagnóstico confirmado, estão sendo monitorados pelos médicos e passam bem. Eles moram na cidade de Erechim, vizinha a Passo Fundo. A rota de retorno usada pelo caminhoneiro está sendo investigada pelas autoridades sanitárias.
Ministério
O Ministério da Saúde confirmou ontem a morte da primeira vítima da gripe A (H1N1) - a gripe suína. O governo federal não divulgou o seu nome, mas o Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo (RS), informou que se trata do caminhoneiro Vanderlei Vial, 29 anos, que esteve na Argentina a trabalho durante sete dias.
“Mesmo devidamente assistido, com os cuidados intensivos que o caso requeria, infelizmente, ele veio a falecer”, disse o ministroministro José Gomes Temporão. “Lamentamos a morte e reafirmamos que estamos lançando mão de todos os esforços para evitar outros óbitos.”
De acordo com o Ministério da Saúde, há uma adolescente de 14 anos com diagnóstico confirmado internada em estado grave no Rio Grande do Sul - ela também contraiu a doença na Argentina.
Morte de engenheiro
No Rio Grande do Sul, a Secretaria Estadual de Saúde investiga ainda se a morte de um engenheiro americano de 59 anos em Montenegro tem relação com a gripe suína. O homem chegou a trabalho no dia 21 e morreu na última sexta-feira. Apesar da suspeita, exames preliminares mostram que não há evidências de que a causa da morte tenha sido o vírus.
A situação no RS se tornou preocupante com o avanço da doença na Argentina, que já tem 1.587 casos e 26 mortes, uma taxa de letalidade de 1,64% - no mundo, é de 0,46% (320 mortes em 71.320 casos), a mesma da gripe comum.