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Para Malandrino, só raros setores reagem bem à crise

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Domingos Malandrino, diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, está fora do rol dos otimistas no segundo semestre. Atribui sua condição ao que ele próprio chama de inoperância do governo federal. “Em decorrência da necessidade de mercado, o governo vem fazendo o que tem que fazer a conta-gotas, em cima de setores que conseguem ter mais representatividade, como é o caso do automobilismo, da linha branca, da construção civil”, comenta.

Além desses segmentos, para o empresário, são raros os setores que já estão reagindo bem, após a crise financeira internacional. Normalmente, são os que dependem de mercado interno. “Tanto que o presidente está aumentando o leque das empresas favorecidas com a redução do IPI”, diz. Mas na opinião de Malandrino, as respostas vindas de Brasília são muito lentas. “Os juros deveriam estar em 7% a 8% desde outubro do ano passado. Estamos em 9,25% agora. Quando mexe na taxa de juros, demora seis meses para ter repercussão, retorno para o setor produtivo”, comenta.

Na avaliação do diretor regional do Ciesp em Bauru, o Brasil está pagando um preço muito alto por uma crise que não nasceu aqui. “Nós não precisaríamos estar pagando esse preço, se tivéssemos abaixado os juros lá atrás, se o pessoal do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) se reunisse a cada 15 dias e não a cada 45 dias, se a economia não tivesse encolhido o crédito”, ressalta. Frente ao contexto, todo mundo pisou no freio, diz.

“O segundo semestre será difícil, muito difícil, raras grandes exceções. O desemprego vai continuar aumentando. Vai ter que ter alguma política de flexibilização da contratação da mão-de-obra. Alguma coisa vai te que ser feita. Mas a gente ainda tem tempo de salvar o segundo semestre, se começarem a fazer tudo o que eu falei”, alerta. Para ele, o que o País também precisa das reformas tributária, política e eleitoral.

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