O Brasil tem que planejar seu futuro no pós-crise, alerta Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele cita exemplos nos Estados Unidos e na China, além do próprio segmento industrial no País.
“Se quisermos ter um grande 2010, devemos começar a agir imediatamente. Medidas governamentais importantes foram tomadas para atenuar os efeitos da crise, como a redução do IPI para alguns produtos. Mas ainda não são suficientes. Se quisermos sair fortalecidos desse período, temos que avançar”, ressalta.
Os Estados Unidos, por exemplo, estão aproveitando o momento para investir em setores estratégicos, como expansão da Internet banda larga, programas de energia renovável e apoio a estudantes sem-teto. A China, por sua vez, vê a crise como uma oportunidade de estimular os setores mais importantes e os mais frágeis da economia. Para isso, priorizou infra-estrutura, habitação e tecnologia, informa Skaf. “E o Brasil? Quais são as prioridades para garantir o futuro de nosso País? Não vemos o governo discutindo esta questão”, preocupa-se.
De acordo com ele, no sistema Fiesp (composto também pelo Ciesp, Instituto Roberto Simonsen, Sesi e Senai de São Paulo), educação, treinamento e inovação foram priorizados. “Ampliamos em 30% a oferta de cursos de treinamento do Senai para trabalhadores da indústria. No Sesi, implementamos o ensino em tempo integral para cerca de 120 mil alunos. A indústria está fazendo a sua parte”, ressalta.
Para Skaf, o enfrentamento da crise atual e a recuperação da atividade econômica no próximo ano requerem a superação de diversos desafios. Para o setor produtivo, ele cita o problema da restrição do crédito e do spread bancário, que é a diferença entre os juros que o banco paga aos investidores e o que cobra nos empréstimos. “Além disso, sofremos com a falta de uma série de reformas estruturais que, sem dúvida, deve ser liderada pela reforma tributária”, acrescenta.
Skaf, mais uma vez, cobra redução na taxa básica de juros. “Apesar de finalmente chegar a um dígito, 9,25% ao ano ainda continua incompatível com a conjuntura atual da economia. Nada explica juros básicos superiores a 7% ao ano, o que já eqüivaleria a três pontos percentuais acima da inflação. A política de redução da Selic tem sido muito lenta e continua aquém da realidade”, avalia.
O presidente da Fiesp considera como importante não apenas a prorrogação da desoneração do IPI sobre diversos produtos, como também o pacote de medidas que busca reduzir os custos de financiamentos para diversos segmentos da indústria. Mas para ele, muito mais pode e deve ser feito. “Principalmente em relação ao direcionamento de recursos públicos, privilegiando investimentos em infra-estrutura, por exemplo, e reduzindo o custeio da máquina pública”, afirma.
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Demanda interna
Para sair da crise, o governo federal tem que priorizar a demanda interna, que absorve 80% da produção nacional. A avaliação é do presidente da Fiesp, Paulo Skaf. “Cabe-nos reagir, lutar e vencer as adversidades. O Brasil possui fundamentos econômicos bem alicerçados para voltar a crescer no ano que vem. Em um contexto mundial, o País tem condições de diminuir mais rapidamente os efeitos da crise na economia doméstica”, garante.
De acordo com Skaf, a previsão de crescimento econômico brasileiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2010 é de 2,2%, acima, inclusive, do 1,9% projetado para o mundo. No entanto, o Brasil também sofreu os efeitos da crise.
“Fomos atingidos por uma forte crise em setembro do ano passado, que prosseguiu aguda até março deste ano. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 3,6% no quarto trimestre de 2008 e 0,8% no primeiro trimestre de 2009. Neste mesmo período, o mercado de trabalho respondeu de maneira rápida e intensa à reversão do crescimento econômico, com a perda de 455 mil empregos com carteira assinada em todo o País”, relembra.
Mas felizmente, a partir de abril, houve uma suave melhora, embora a crise continue a sacrificar os setores que precisam mais de crédito e aqueles que dependem de exportação, pondera. “As projeções internacionais para o ano de 2009, até agora, também não são animadoras. O Fundo Monetário Internacional estima que o PIB mundial deverá sofrer uma contração de 1,3% neste ano, o que significaria uma queda de 4,5 pontos percentuais em relação a 2008. Para o Brasil, o FMI prevê uma contração de 1,3% do PIB em 2009”, informa.
Se o crescimento do PIB for de 1% nos três últimos trimestres do ano de 2009, o que seria bastante significativo, o ano ainda fecharia com queda de 1%. Ou seja, mesmo tendo uma boa recuperação, a involução do PIB será de 1%.
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Confiança
Segundo pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FVG), a confiança da indústria brasileira subiu pelo sexto mês consecutivo. O setor tem perspectivas de melhora, ainda num cenário de incertezas, conforme o JC divulgou na última semana.
Na mesma ocasião, também foi divulgada a taxa de desemprego nas principais regiões metropolitanas brasileiras, que deverá fechar o ano maior que em 2008. Porém, está longe de subir como em outros países, apontaram economistas da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).