O que está em jogo no cenário político de Bauru é o peso do voto de um colégio eleitoral significativo. De acordo com projeção da maior zona eleitoral de Bauru, o município poderá contar, em 2010, com aproximadamente 240 mil eleitores. Se imaginássemos que todos os votos seriam considerados válidos, daria tranqüilamente para eleger pele menos dois deputados federais e três estaduais. Isso, também, contando com a opção dos bauruenses pelos candidatos da terra e não por “pára-quedistas”.
Nas eleições de 2006, os 190.523 eleitores que compareceram às urnas atenderam aos apelos institucionais e da sociedade organizada de optar por candidatos da terra na disputa à Assembléia Legislativa, onde apenas 27,30% dos votos foram para candidatos de outras regiões do Estado. Entretanto, na disputa a deputado federal, 47,61% dos bauruenses votaram em candidatos de fora, distribuindo mais de 77 mil votos em candidatos à Câmara dos Deputados que dobraram com correligionários locais ou apenas apostaram na distribuição de santinhos para levar daqui a metade dos votos válidos na eleição proporcional para Brasília.
O fenômeno da pulverização de votos para candidatos “pára-quedistas” atingiu tal proporção que dos mais de 104 mil votos válidos em Bauru a deputado federal, mais de 77 mil deles foram distribuídos entre nada menos que 666 nomes. Os candidatos a federal em Bauru eram 11, número já considerado elevado para a tão propalada campanha em torno da escolha de “nomes da terra”. Fora isso, mais de 26 mil bauruenses não escolheram nenhum candidato a federal, sendo que acima de 13 mil deles votaram em Bauru e outro tanto anulou a opção na urna eletrônica.
A pulverização só não foi tão expressiva a deputado estadual porque Pedro Tobias (PSDB) conseguiu se reeleger – tendo a segunda maior votação em todo o Estado – levando mais de 100 mil votos de bauruenses, para um total aproximado de 119 mil votos válidos registrados. Com a votação em peso de Bauru em Tobias, os candidatos de outras localidades conseguiram algo acima de 44.900 votos, somados, por aqui, índice que ficou bem abaixo do mesmo parâmetro para deputado federal. Mesmo assim, a escolha do bauruense para deputado estadual proporcionou que 27,30% dos votos fossem para nomes de fora, com a lista tendo 74 candidatos de outras localidades “pingando” votos nas seções locais.
Para a disputa a deputado federal, o bauruense distribuiu votos para centenas de nomes. Os primeiros quatro nomes mais votados foram da cidade, porém, o restante da lista era formada de “pára-quedistas”. Arnaldo Madeira (4.495), Enéas (3.583), Antonio Bulhões (3.548), Clodovil (3.435), José Aníbal (3.110), Edson Aparecido (3.079), José Carlos Stangarlini (2.631), Paulo Maluf (2.315), Celso Russomanno (1.994), Aldo Rabelo (1.711), Renato Simões (1.382) e Regis de Oliveira (1.070) encabeçam a lista dos "forasteiros" mais votados em Bauru.