Enquanto a maioria dos pais trabalha, cerca de 72 mil alunos de Bauru já estão em férias de meio de ano ou começarão o recesso na próxima semana. Por um período que varia de 15 a 30 dias, os pais deixarão de preocupar-se com horário de aula, lanche e lição de casa. Mas, por outro lado, haja atividade para a garotada que, cansada de estudar e das provas, quer é brincar, se divertir sem hora para parar e passear com amigos e parentes.
Os 36.950 alunos da rede estadual de ensino da cidade e os 16.912 estudantes das escolas municipais de ensino fundamental (Emef) e do ensino infantil (Emei) terão, em média, 15 dias para se divertir. Já os cerca de 18 mil alunos de escolas particulares gozam de férias mais longas, de cerca de 30 dias.
Gerson Trevisani, o Duda Trevisani, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo, explica que tratam-se de férias acordadas por meio de um dissídio coletivo.
“Em geral, as escolas particulares ficam um mês de férias. São férias coletivas, acordadas por dissídio. Normalmente, os professores voltam um pouco antes para se preparar, fazer cursos de reciclagem”, diz.
Solange Reis, diretora do departamento de educação infantil da rede municipal de Bauru, explica porque na rede pública as férias são mais curtas. “Mensalmente, a gente tem reuniões com os pais. Então, pára um dia para reunir os pais para falar de educação, problemas que as crianças enfrentam, regras de convivência em casa e na escola. Todo mês tem uma parada, o que consome o calendário e por isso a gente acaba tendo férias menores”, afirma.
Há ainda aqueles que não terão férias: as 1.834 crianças matriculadas nas 20 unidades da rede municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii) e os 1.800 pequenos das creches conveniadas ao município. Os alunos das Emeiis terão atividades diferenciadas voltadas para a recreação e as creches funcionarão normalmente. Reis afirma que os pais dos menores precisam do serviço destas unidades para poder trabalhar e, por isso, elas continuam recebendo as crianças durante o mês de julho.
Programação
Embora crianças e adolescentes estejam em férias, os pais dificilmente conseguem folga no emprego no mesmo período. Desta forma, a saída para entreter os filhos e não enlouquecer com tanta energia acumulada dentro de casa é levá-los para passeios rápidos na própria cidade.
Dulcirene Pereira Andrade Florencio tem dois filhos: Gabriel, um adolescente de 15 anos, e Maria Eduarda, de 5 anos. Como ela trabalha o dia todo em seu restaurante, aproveita o horário da saída do serviço para levar os filhos para fazer um programa diferente.
“A gente trabalha bastante por causa do restaurante e quase não tem tempo de ficar com eles. Então, a gente procura ficar por aqui mesmo e fazer um passeio curto no final da tarde, sair para comer um lanche ou ir ao cinema”, conta.
Os parentes mais próximos, como avós e tios, também dão uma ajudinha para os pais ocupados na hora de entreter as crianças. Ana Paula Santos Baldo, que tem uma filha de 5 anos, deixa a pequena Lavínia com a avó paterna.
“A gente trabalha o dia todo, então ela fica com a minha sogra junto com o priminho dela. A avó dá uma mão boa, viu! Mas, quando estamos com ela, a programação é cinema, peça de teatro aos domingos, passeio no shopping, no zoológico ou ver um filme em casa e brincar com o cachorro”, afirma.
Os pais se desdobram para passar a maior quantidade de tempo com os filhos. “A Maria Eduarda vai muitas vezes comigo para o restaurante. A escola até tem curso de férias, mas eu opto por não deixá-la lá. Ficando em casa ela pode dormir até mais tarde e ter um convívio maior com a família”, ressalta Dulcirene.
Solange Reis, diretora do Departamento de Educação Infantil da rede municipal, acredita que é este mesmo o intuito das férias de meio de ano: estreitar os laços familiares e sociais.
“As crianças precisam de um laço familiar, de mais tempo convivendo com a família. Não sendo os pais, ela tem outros parentes como avós e a família como um todo. Isto é importante para a formação dela enquanto pessoa, para formação humana e para o desenvolvimento dela. É uma questão antropológica e social. Mesmo as famílias mais humildes têm algum plano, algum passeio para a criança. Sempre há um motivo para união nesse período”, diz.