Saúde

Toques e retoques

Consultoria: Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 5 min

Como prevenir e tratar as micoses superficiais da pele

Prezado leitor,

O friozinho está com tudo e é inevitável abusarmos de sapatos fechados e roupas bem quentes. Os banhos são quase pelando e prolongados. Dessa forma, nossa pele e couro cabeludo ficam mais propensos a ter micoses superficiais. Entenda sobre essa doença e aprenda o que fazer para evitá-la.

As micoses superficiais da pele, em alguns casos chamadas de “tineas”, são infecções causadas por fungos que atingem a pele, as unhas e os cabelos. Os fungos estão em toda parte podendo ser encontrados no solo e em animais. Até mesmo na nossa pele existem fungos convivendo “pacificamente” conosco, sem causar doença.

A queratina, substância encontrada na superfície cutânea, unhas e cabelos, é o “alimento” para estes fungos. Quando encontram condições favoráveis ao seu crescimento, como calor, umidade, baixa de imunidade ou uso de antibióticos sistêmicos por longo prazo (alteram o equilíbrio da pele), estes fungos se reproduzem e passam então a causar a doença.

Tipos

Existem várias formas de manifestação das micoses cutâneas superficiais, dependendo do local afetado e também do tipo de fungo causador da micose. Veja a seguir alguns dos tipos mais freqüentes:

1) Tinea do corpo (“impingem”): forma lesões arredondadas, que coçam e se iniciam por ponto avermelhado que se abre em anel de bordas avermelhadas e descamativas com o centro da lesão tendendo à cura;

2) Tinea da cabeça: mais freqüente em crianças, forma áreas arredondadas com falhas nos cabelos, que se apresentam cortados rente ao couro cabeludo nestes locais (tonsurados). É muito contagiosa;

3) Tinea dos pés: causa descamação e coceira na planta dos pés que sobe pelas laterais para a pele mais fina;

4) Tinea interdigital (“frieira”): causa descamação, maceração (pele esbranquiçada e mole), fissuras e coceira entre os dedos dos pés. Bastante frequente nos pés, devido ao uso constante de calçados fechados que retém a umidade, também pode ocorrer nas mãos, principalmente naquelas pessoas que trabalham muito com água e sabão;

5) Tinea inguinal (“micose da virilha, jererê”): forma áreas avermelhadas e descamativas com bordas bem limitadas, que se expandem para as coxas e nádegas, acompanhadas de muita coceira;

6) Micose das unhas (onicomicose): apresenta-se de várias formas: descolamento da borda livre da unha, espessamento, manchas brancas na superfície ou deformação da unha. Quando a micose atinge a pele ao redor da unha, causa a paroníquia (“unheiro”). O contorno ungueal fica inflamado, dolorido, inchado e avermelhado e, por consequência, altera a formação da unha, que cresce ondulada;

7) Intertrigo candidiásico: provocado pela levedura Candida albicans, forma área avermelhada, úmida que se expande por pontos satélites ao redor da região mais afetada e, geralmente, provoca muita coceira;

8) Pitiríase versicolor (“micose de praia, pano branco”): forma manchas claras recobertas por fina descamação, facilmente demonstrável pelo esticamento da pele. Atinge principalmente áreas de maior produção de oleosidade como o tronco, a face, o pescoço e o couro cabeludo;

9) Tinea negra: manifesta-se pela formação de manchas escuras na palma das mãos ou plantas dos pés. É assintomática;

10) Piedra preta: esta micose forma nódulos ou placas de cor escura grudados aos cabelos. É assintomática;

11) Piedra branca: manifesta-se por concreções de cor branca ou clara aderidas aos pêlos. Atinge principalmente os pêlos pubianos, genitais e axilares e as lesões podem ser removidas com facilidade puxando-as em direção à ponta dos fios.

Prevenção

Os hábitos higiênicos são importantes para se evitar as micoses. Previna-se seguindo estas dicas:

1) Seque-se sempre muito bem após o banho, principalmente as dobras de pele como axilas, virilha e dedos dos pés; 2) Evite ficar com roupas molhadas por muito tempo; 3) Evite o contato prolongado com água e sabão; 4) Não use objetos pessoais (roupas, calçados, pentes, toalhas, bonés) de outras pessoas; 5) Não ande descalço em pisos constantemente úmidos (lava pés, vestiários, saunas); 6) Observe a pele e o pêlo de seus animais de estimação (cães e gatos). Qualquer alteração como descamação ou falhas no pêlo procure o veterinário; 7) Evite mexer com a terra sem usar luvas; 8) Use somente o seu material de manicure; 9) Evite usar calçados fechados o máximo possível. Opte pelos mais largos e ventilados; 10) Evite roupas quentes e justas. Evite os tecidos sintéticos, principalmente nas roupas de baixo. Prefira sempre tecidos leves como o algodão.

Tratamento

O tratamento vai depender do tipo de micose e deve ser determinado por um médico dermatologista. Evite usar medicamentos indicados por outras pessoas, pois podem mascarar características importantes para o diagnóstico correto da sua micose, dificultando o tratamento.

Podem ser usadas medicações locais sob a forma de cremes, loções e talcos ou medicações via oral, dependendo da intensidade do quadro. O tratamento das micoses é sempre prolongado, variando de cerca de 30 a 60 dias. Não o interrompa assim que terminarem os sintomas, pois o fungo nas camadas mais profundas pode resistir. Continue o uso da medicação pelo tempo indicado pelo seu médico.

As micoses de unhas são as de mais difícil tratamento e também de maior duração, podendo ser necessário manter a medicação por mais de 12 meses.

Portanto, comece já um tratamento adequado para o seu problema e não seja imediatista. Utilize a medicação e a hora que menos esperar estará curada. A persistência é o segredo para o êxito em seu tratamento. Vale a pena ter os pés impecáveis naquela sandália super sensual com as unhas saudáveis à mostra no verão.

Um grande abraço e até o próximo domingo.

Daniela Hueb

Médica, CRM-SP 96.027 - e-mail:danielahueb@jcnet.com.br

Comentários

Comentários