Jorginho é um homem de família. A afirmação é simples, mas contém parte da receita que faz do técnico a maior surpresa do Campeonato Brasileiro. O Palmeiras do “interino” é bem diferente daquele visto na época de Vanderlei Luxemburgo. E a mudança foi para melhor.
É difícil achar uma entrevista do ex-meia em que não haja citação a um de seus filhos, à mulher, à mãe... Um exemplo? Questionado sobre como vai lidar com os jogadores no dia em que tiver de dar bronca num integrante mais experiente do elenco, como Edmílson por exemplo, explicou: “Com o meu filho Lucas, eu sei como falar grosso na hora certa. Com os jogadores, vai ser a mesma coisa. O atleta não gosta de ‘trairagem’, de quem fala uma coisa e faz outra. E isso não acontece aqui”.
Esse estilo está agradando no Palestra Itália. Jorginho ouve, pergunta, aconselha... exatamente como diz fazer em casa. Nos dias de folga, recusa convites para ir a programas de televisão para passar tempo com a família. Especialmente a mãe. “A velhinha tem 80 anos. Não sei quanto tempo mais Deus vai permitir que ela fique comigo”.
Mesmo nas conversas informais com jornalistas, Jorginho sempre cita o que acontece em sua casa. Nem que seja o preço do plano de saúde particular que paga. “Ele é um treinador que sabe passar o que quer com muita tranquilidade e tem a confiança de todos. Para nós, ele já é o técnico”, disse o volante Pierre na saída de campo após a vitória sobre o Santo André.
Viver o presente
Jorginho comanda o Palmeiras com o mesmo estilo do chefe de família que tem controle sobre os filhos. Fala pausadamente, mas sabe que dessa forma impõe sua autoridade Mas ao mesmo tempo, está aberto ao diálogo. Foi assim que conquistou a confiança até mesmo dos jogadores que eram mais identificados com Vanderlei Luxemburgo, como Diego Souza e Edmilson. “Estamos jogando pelo Jorginho. Tudo o que fizermos para ajudá-lo será muito bom. Porque ele é um cara muito parceiro dos jogadores”, elogiou Diego.
E ao mesmo tempo que sabe cobrar, o treinador afaga. Por isso que nos últimos dias disse que o futebol do camisa 7 deveria ser suficiente para levá-lo para a seleção brasileira. Disse o mesmo com relação a Cleiton Xavier. “Eles estão jogando demais!”, afirmou.
A vitória contra o Santo André, no sábado, foi a quarta seguida em cinco jogos com Jorginho no comando do Palmeiras. A dúvida com relação à sua permanência poderá ser dissipada nesta semana. Especialmente no próximo domingo contra o Corinthians. Será a prova definitiva. Mas Jorginho não aceita falar sobre isso. Pelo menos não até depois da partida contra o Goiás, nesta quarta-feira, em Goiás. “Meu filho Leonardo sempre me disse - e eu nunca acreditei - que a gente deveria viver apenas o presente. Hoje eu não penso mais no futuro”.
Leonardo era o filho de 16 anos de Jorginho que morreu num acidente há um ano, em junho de 2008. Ele era jogador do time sub-17 do Palmeiras. Na época, o pai era coordenador da equipe de base. Hoje está na equipe principal e não esquece de citá-lo sempre que tem chance. Esse discurso familiar está deixando o time cada vez mais firme na briga pelo título do Campeonato Brasileiro.