Vou narrar uma pescaria que aconteceu na Ponte do Cedro. No tempo das vacas gordas de uma pescaria não se perdia viagem, sempre vinha com o samburá cheio. Eu, mais o meu cunhado Anélio, este já não pesca mais - Deus o tenha num bom lugar -, fomos pescar no Cedrinho e faz um tempão e como eu estava a contar naquela tarde a pesca estava boa já tínhamos pego muitos tambius e cada lambari de rabo que dava gosto, o meu cunhado descia o ribeirão até chegar a um tabuado ali existente, aí ele viu enroscado nuns galhos um corpo estranho. No momento ele pensou ser de um porco porque só se via as costas, e ele deu o alarme para mim e eu, num tom de brincadeira, digo “cutuca para ver o que é”. Assim ele o fez. Pegou a vara que estava a pescar e passou sobre o corpo estranho e esse se abriu todo. Era o corpo de uma mulher e estava se decompondo, devia estar na água há dias e ela estava de maiô. Fiquei horrorizado com a cena. Joguei todos os peixes de volta no rio, fomos avisar o ocorrido em um bar que existia no Cedrinho e desaparecemos para não haver complicação para nós. Depois de uns 15 dias eu fiquei sabendo o que aconteceu. Um casal estava a brincar no rio e a moça acabou se afogando. Eu não sei se ele deixou ela se afogar, só sei que ele deu no pé, mas a Polícia o descobriu e foi preso.
Ai foi uma das muitas que eu passei por esses rios e vi para contar a vocês.
Florindo Martins é pescador e contador de histórias.