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Cientistas apontam séria destruição da vegetação marinha

Da Redação
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Enquanto o mundo tem se focado na destruição que o homem trouxe aos recifes de corais, a perda massiva de um ecossistema igualmente importante tem sido amplamente ignorada. Agora, a primeira avaliação abrangente do estado das pradarias de angiospermas marinhas ao redor do mundo revelou o dano causado por atividades humanas nessas áreas de importância econômica e biológica.

Uma síntese dos dados quantitativos de 215 locais sugere que o mundo perdeu mais de um quarto de suas pradarias nos últimos 130 anos, desde que os registros começaram, e que o ritmo do declínio cresceu de menos de 1% ao ano antes de 1940 para 7% ao ano desde 1990.

“O ritmo da perda de angiospermas marinhas é comparável ao encontrado em mangues, recifes de corais e florestas tropicais, colocando as pradarias de angiospermas marinhas entre os ecossistemas mais ameaçados da Terra”, escrevem os autores da síntese, que foi publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Nosso relatório sobre o aumento das perdas de angiospermas marinhas revela uma grande crise ambiental global nos ecossistemas costeiros, dos quais as angiospermas marinhas são as sentinelas da mudança.”

Além de favorecer uma fauna única composta por tartarugas-verdes (Chelonia mydas) e dugongos (Dugong dugon), as pradarias de angiospermas marinhas também servem como um berçário vital de peixes, servindo de suporte para populações de recifes de corais e de pescas comerciais. Elas também servem para estabilizar sedimentos e fornecer proteção costeira, bem como para capturar carbono e ajudar no transporte de nutrientes.

Sentinelas em sofrimento

Para a pesquisa global, os pesquisadores compilaram um banco de dados com todas as informações sobre mudanças na extensão da cobertura de angiospermas marinhas ao longo de pelo menos dois anos. Foram incluídos estudos publicados, bancos de dados online e pesquisas não publicadas que passaram por auditoria.

A síntese mostra que desde 1980, as angiospermas marinhas têm sido destruídas a uma taxa de 110 km2 por ano. Enquanto 25% dos locais aumentaram em tamanho e 17% não apresentaram mudanças detectáveis, 58% foram reduzidos.

Ao todo, a área de perda mensurada entre 1879 e 2006 foi de 3.370 km2 de um total de 11.592 km2 para o qual registros adequados foram disponibilizados: perda de 29%. A extrapolação disso para uma escala global sugere uma perda de 51 mil km2 de pradarias de angiospermas marinhas desde que os registros começaram.

Um dos autores do estudo, Frederick Short, pesquisador da Universidade de New Hampshire, Durham, admite que “não existem muitos dados” disponíveis sobre as angiospermas marinhas, por isso é difícil determinar exatamente sua perda total. Contudo, ele afirma, “o quadro parece bastante desolador para muitas partes... estamos abusando de nossos sistemas costeiros.”

A vasta maioria do declínio, segundo Short e outros especialistas, é atribuída à atividade humana. Poluição de nutrientes e sedimentos causada por atividades humanas locais e a introdução de espécies invasoras também estão contribuindo para o declínio.

As angiospermas marinhas - plantas de floração que evoluíram a partir de plantas terrestres - também estão propensas a serem afetadas pela mudança climática, apontam os autores. E, embora o mundo esteja focado nos fotogênicos corais, a perda de angiospermas marinhas é igualmente preocupante, talvez até mais devido à sua distribuição maior. “O ecossistema de angiospermas marinhas em geral não é reconhecido”, disse Short.

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