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Já falta hospital para suspeito da gripe

Por Tisa Moraes | Com Juliana Franco
| Tempo de leitura: 6 min

Com o aumento de pessoas com sintomas característicos da gripe Influenza A (H1N1), a gripe suína, os hospitais públicos de Bauru estão chegando no limite de sua capacidade de atendimento. Ontem, quatro pessoas procuraram o Pronto-Socorro Central (PSC) com sintomas da doença e indicação de internação hospitalar, mas até o início da noite elas aguardavam vagas isoladas em uma das salas de enfermaria da unidade de emergência. À noite foi liberada vaga para um dos pacientes.

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, disse que o Departamento Regional de Saúde (DRS-6) foi comunicado sobre o problema e deveria solicitar a liberação de leitos no Hospital Estadual (HE) de Bauru. A assessoria do hospital, que atende 68 municípios, informou, à noite, que havia liberado uma vaga. “Estes pacientes não demandam cuidados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), mas precisavam ser encaminhados para um hospital. Foi preciso isolá-los em leitos de observação do Pronto-Socorro, o que causa um transtorno para outros pacientes que precisam desses leitos”, observa Monti, ressaltando que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não poderia resolver, sozinha, a questão.

A forma como os pacientes com gripe suína serão tratados na cidade se torna cada dia mais preocupante à medida em o número de casos aumenta. Ontem à noite, a Divisão de Vigilância Epidemiológica da SMS recebeu do Instituto Adolfo Lutz a confirmação de mais cinco casos da Influenza A (H1N1) em Bauru. Com isso, o município passa a contabilizar 20 casos da doença, com um óbito ocorrido no último domingo.

“No momento é difícil falar quantas pessoas estão sendo monitoradas e quantas estão esperando resultado porque fizemos uma grande quantidade de coleta para exame nos últimos três dias”, frisa. Ele, no entanto, informou que a pasta está computando todos os dados relativos à doença, incluindo os exames solicitados no final de semana, e se comprometeu a divulgar um relatório mais detalhado ainda hoje.

Em resposta a um leitor do JC, indignado porque se deparou com uma mulher grávida trabalhando com máscara de proteção para evitar ser contaminada, o secretário afirma que não há indicação para que gestantes sejam afastadas do trabalho. Embora tenham o sistema imunológico debilitado em função de seu estado, ele salienta que as grávidas saudáveis devem manter sua rotina diária.

“São as pessoas que apresentam quadro de febre associado a sintomas de doenças respiratórias que devem permanecer em casa. Por essa razão, contamos com o senso de responsabilidade da população, caso apresente a sintomatologia da gripe A, para que restrinja o contato com outras pessoas e usem máscara”, alerta.

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Manoel de Abreu pode ser usado

Se o número de infectados com a gripe suína aumentar exponencialmente sem que haja uma estrutura de preparada para tratá-los, a tendência é que a situação se agrave. Isso porque, quanto mais tempo uma pessoa permanecer em aglomeração de pessoas que esperam atendimento médico no Pronto-Socorro Central, maiores as chances de propagação da gripe.

Para resolver o problema da falta de vagas para internação e tratamento da gripe suína nos hospitais públicos da cidade, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, adianta que está em curso uma discussão com a DRS-6 para a elaboração de um plano de contingência. Uma das saídas seria utilizar leitos do Hospital Estadual Manoel de Abreu, que teria condições de disponibilizar algumas vagas para receber os pacientes doentes ou suspeitos de estarem com a gripe, segundo apurou a reportagem.

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De máscaras

Após a notícia da primeira morte por gripe suína em Bauru, uma cafeteria instalada no terminal Rodoviário, local de grande circulação de pessoas, adotou o uso de máscaras de proteção para os 14 funcionários que lidam diretamente com o público. De acordo com a proprietária Maria Inês Conte, o acessório foi incorporado ao uniforme da equipe de trabalho como medida de prevenção.

“Como pessoas do Brasil inteiro passam pela rodoviária de Bauru, resolvemos nos precaver. Até as funcionárias gostaram da medida”, frisa.

Ela conta que, além de cobrir os rostos, os atendentes passaram a utilizar álcool em gel para higienizar as mãos e as louças utilizadas pelos clientes. Morador de Echaporã, José Aparecido da Silva, 44 anos, estava de passagem pelo terminal na tarde de ontem e, enquanto pedia um café no estabelecimento, afirmou ser a favor do uso das máscaras.

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Pacientes com medo da gripe suína lotam PS e espera chega a 6 horas

O medo da gripe suína aumentou a procura por atendimento médico de pessoas com gripe, resfriado e problemas respiratórios no Pronto-Socorro Central (PSC). Ontem, a espera dos pacientes com suspeita de gripe chegou a seis horas.

O dia de folga do confeiteiro Ronaldo Alves de Azevedo, 32 anos, foi na fila de espera do PS. Acompanhado da namorada, Aline Aparecida da Silva, grávida de dois meses, ele passou pelo pré-atendimento às 10h. Por estar com febre e apresentar sintomas da gripe suína, ele recebeu uma máscara e foi encaminhado à sala especialmente preparada para atender apenas pacientes com suspeita da gripe suína.

Quando a reportagem do JC chegou ao local, por volta das 16h15, Ronaldo ainda não tinha sido atendido. Como não se sentia bem e por falta de espaço no local, o confeiteiro estava deitado no chão, no lado de fora da sala de espera. A namorada, apesar de acompanhar o paciente, não recebeu máscara de proteção.

A situação do polidor Paulo Sérgio Gomes, 37 anos, era a mesma. Sentado no chão, encostado na parede, ele contou que passou pelo pré-atendimento também por volta das 10h, recebeu a máscara e, às 16h30, ainda não tinha sido consultado. “Estou com fraqueza, passei mal a noite toda, estou sem almoço e acompanhado dos meus dois filhos que não tinham com quem ficar. Até agora espero passar por um médico”, revela.,

Revoltada, Keli Regina da Silva, 17 anos, acompanhada da mãe, conta que apesar de estar com dor pelo corpo, dor de cabeça e febre, também ficou do lado de fora da sala de espera, aguardando atendimento médico.

“Isso é uma falta de respeito. Eles nos deram esta máscara por volta das 10h”, opina Ana Paula Barbosa, 28 anos, também com suspeita de gripe suína. “Certamente, se tiver uma pessoa aqui que tenha confirmado a gripe suína, todos nós corremos o risco de ter também”, acrescenta.

Demanda

Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antonio Bertozo Sabbag, as notícias sobre a gripe suína, a falta de conhecimento sobre a doença e, principalmente, o medo contribuiu para o aumento de pacientes gripados no Pronto-Socorro Central.

Apesar da alta demanda, Sabbag disse ter sido informado pelo JC de que os pacientes aguardavam por atendimento há mais de seis horas. “Antes, as pessoas que tinham gripe se cuidavam em casa mesmo. Agora, com esta epidemia, as pessoas correm para o pronto-socorro para descartar algumas possibilidades”, revela.

No final da tarde de ontem, o diretor informou que um médico do Pronto-Socorro da Bela Vista foi deslocado para o PSC para ajudar no atendimento.

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