Tribuna do Leitor

Nilson responde


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Sr. diretor do Jornal da Cidade.

Em carta sob o título “100 em 6 meses”, publicada na edição de 3 do corrente, o leitor Roberto “General” Macedo tece elogios ao prefeito Rodrigo Agostinho. Ao mesmo tempo se refere aos “100 meses” das gestões Nilson-Tuga. E afirma: “Em todo esse tempo tivemos prefeitos inoperantes e que só atrasaram a cidade”.

Não vai aqui nenhuma restrição ao juízo de valor do missivista quanto ao desempenho do atual alcaide. Há esperanças, sim, de um bom trabalho de Rodrigo. O fato é que a sociedade está colaborando, a mídia está ajudando, os vereadores estão contribuindo e a conjuntura municipal ajudada pela boa fase do País vem proporcionando raras chances de sucesso em nossas finanças. Não foi assim no passado...

Tomara que os prognósticos se confirmem. Fui, aliás, um dos entusiastas da candidatura do jovem que hoje nos governa. O que merece reparo na carta do “General” é a sua interpretação de “inoperância” dos prefeitos que antecederam Agostinho. Falo por mim. Na história político-administrativa de Bauru houve fases distintas, marcadas por turbulências e calmarias locais e externas. Penso que cada prefeito fez sua parte, positiva ou negativa, de acordo com as circunstâncias do momento vivido.

Gostaria, a bem da verdade, de apontar no que diz respeito aos meus seis anos de administração, atos e fatos que desautorizam a alegada “inoperância” a que alude o “General”.

Recorde-se que assumi a prefeitura num mandato-tampão com dívidas de quase R$ 100 milhões, herdadas de gestões anteriores. A receita orçada para 1999, meu primeiro ano, era pouco superior às mencionadas dívidas.

Consegui a federalização da dívida bancária de curto prazo (caos à vista), em torno de R$ 43 milhões, oriunda do empréstimo para o viaduto inacabado, lotes urbanizados e operações de antecipação de receitas e isso permitiu ao município respirar nos anos seguintes. Ressalto que o Banco Chase Manhatan cobrava crédito de R$ 33 milhões e o governo federal exigiu, no acordo da federalização, deságio de 30%, beneficiando a prefeitura em R$ 9 milhões. Mesmo assim alguns vereadores insistiram, com respaldo de parte da mídia, que houvera um “mau negócio”.

Foi necessário regularizar o pagamento dos salários dos servidores municipais e o “prefeito inoperante” primou por saldá-los absolutamente em dia durante os seis anos do mandato...

E a parte administrativa? Minha “inoperância” permitiu-me um desempenho invejável na educação, representado pela construção de mais de uma dezena de novas e amplas escolas (Emefs e Emeis), além de reformas em outras tantas. Escolas para perto de seus alunos. Permitiu-me completar e reinaugurar o Teatro Municipal, fundar a Banda e a Orquestra Municipal.

O setor de obras não esteve inoperante. Reformei totalmente o acesso ao Recinto Mello Moraes, na avenida Comendador Martha; completei a avenida Jânio Quadros; reiniciei a extensão da avenida Nações Unidas, 500 metros em direção ao norte, após mais de 20 anos estagnada; levei a avenida Marçal de Arruda Campos até a Bauru-Marília (dois quilômetros de asfalto novo); a avenida Getúlio Vargas foi modernizada, com extensão do asfalto e recuperação de todo o seu contorno na Zona Sul.

Trouxemos o Samu e conquistamos o hangar na busca de mais segurança; conquistamos o Instituto Branemark, com a supressão de um lanchódromo deteriorado; Bauru conquistou o tetracampeonato dos Jogos Regionais; ampliamos e reformamos o Pronto Socorro Central e o Pronto Atendimento Infantil; duas unidades básicas de saúde (Vila São Paulo e Jaraguá).

Acrescente-se a tudo isso o asfaltamento e recapeamento de dezenas e dezenas de quarteirões. Inoperante ou não, realizei com êxito a licitação do transporte coletivo urbano, com rendimento de R$ 8,6 milhões para os cofres municipais. Implantei também o passe-integração.

Se inoperante fosse, o autor destas linhas não teria conquistado o Prêmio Mário Covas, do Sebrae, como “Prefeito Empreendedor” dos anos 2001-2002.

Enfim, são tantas as realizações administrativas do período 2001-2004, antecedido do período 1999-2000, que o espaço é insuficiente para citá-las todas. Mas o “General” poderá conferi-las, se assim desejar, nos arquivos da prefeitura e da imprensa local. Tenho certeza de que isso contribuirá para tornar o senhor um crítico mais justo do trabalho das pessoas que se dispõem a lutar por esta Bauru que tanto amamos.

Nilson Costa - jornalista e ex-prefeito

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