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Sarney diz haver campanha para desestabilizá-lo e nega renúncia

Folhapress
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Brasília - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), negou ontem ter cometido qualquer ato ilícito. “As acusações que me foram feitas nas diversas representações apresentadas ao Conselho de Ética, nenhuma coisa está relacionada com dinheiro ou prática de atos ilícitos ou desvios de dinheiro público. São coisas que não representam nenhuma quebra de padrão ético, e vou enumerá-las para que se veja como são menores e como elas podem ser jogadas e manipuladas.”

Segundo ele, as denúncias fazem parte de uma campanha para desestabilizá-lo e todas elas são “respaldadas, sem nenhuma exceção, por recorte de jornal”. “Até hoje eu não usei esta tribuna para rebater as inverdades contra mim disseminadas aqui mesmo e na mídia nacional. Vim hoje para expor tudo que fizemos e estamos fazendo pelo Senado, seguindo a linha das minhas administrações anteriores e com a colaboração da Mesa (Diretora). (...) Avaliei que as críticas que me fizeram eram só rescaldos da eleição, mas eram mais profundas. Faziam parte de um projeto político e de uma campanha para (me) desestabilizar.”

O presidente do Senado disse ainda que seu dever é com o Senado. Para Sarney, a crise do Senado se virou para ele. “Hoje, não se fala mais em crise administrativa do Senado. Ela sumiu e toda mídia e alguns senadores não a vinculam senão a mim. Não dizem o que fiz de errado, porque que eu devo merecer punição, o que devo fazer pela reforma do Senado. Os jornais e a mídia, em geral, nunca se concentraram tanto contra uma pessoa como estão fazendo comigo. Desde o meu nascimento, não encontrando nada, invadem minha privacidade e abrem devassa que se estende pela minha família inteira.”

Renúncia

Sarney também descartou renunciar ao comando da Casa, mesmo com o apelo de seus familiares e da oposição. “Na coerência do meu passado, não tenho cometido nenhum ato que desabone a minha vida. Não tenho senão que resistir, foi a única alternativa que me deram. Todos aqui somos iguais, ninguém é melhor que o outro. Não podem esperar de mim que cumpram a sua vontade política de renunciar.”

Sarney disse ainda que as 170 diretorias do Senado não foram criadas por ele. “Isso é um absurdo. É uma herança do passado, mas disseram e consta de uma representação que 70% dessas diretorias foram criadas por mim. Eu criei 23 diretorias para atender novos serviços que servem aos senadores, como TV, rádio, jornal.”

O senador falou ainda sobre os atos secretos. “Ninguém nesta Casa sabia ou podia pensar que existiam atos secretos. A Constituição diz no artigo 37 que a administração dos Poderes deve obedecer aos princípios da publicidade, moralidade e eficiência. Esses atos tinham nulidade necessária. Por isso eu anulei todos eles.”

Sarney apresentou uma lista de supostos parentes que teriam sido contratados a seu pedido na Casa e negou a contratação de um a um. Admitiu, apenas, que pediu a contratação de sua sobrinha Vera Portela Macieira Borges, lotada no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Afirmou também que decidiu afastar dos quadros do Senado a sobrinha. Em seguida, falou da denúncia de que mandou quatro seguranças do Senado para fazer varredura em sua casa, ameaçada de ser incendiada. “Se isto é falta de decoro, nós temos dado a vários senadores remessas para policiais ao Estado. Essa é a função da nossa polícia.” Ele também explicou o suposto favorecimento de empresa de propriedade de seu neto em operações de empréstimos consignados aos servidores do Senado.

Sarney criticou a divulgação de gravações da Polícia Federal mostrando que ele e seu filho, Fernando Sarney, negociaram a contratação de Henrique Dias Bernardes, ex-namorado de sua neta, com o ex-diretor-geral Agaciel Maia, apontado como responsável pela edição dos atos secretos. “Ninguém pode gravar alguém, pegar a conversa interlocutória e divulgá-la com o sigilo de Justiça, ainda mais com um senador da República, que tem foro privilegiado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). É uma ilegalidade, além de ser uma brutalidade. Hoje é comigo, mas amanhã pode ser feito por qualquer um dos senhores.”

Sarney encerrou seu discurso com uma mensagem de que pretende lutar para permanecer no cargo. Ao pedir o apoio dos senadores para “pacificar” o Senado, Sarney disse que não vai aceitar a “humilhação de fugir” às suas responsabilidades, nem mesmo vai ser vítima de “calúnias, mentiras e acusações levianas”.

A oposição, armada para a guerra, disse que José Sarney não convenceu, mas admitiu que o discurso “técnico” e “humilde” do presidente do Senado baixou a temperatura no plenário da Casa, transferindo o embate para o Conselho de Ética. Os aliados de Sarney celebraram o tom de defesa judicial da fala do peemedebista, destacando que a oposição arquivou o discurso da renúncia.

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