A superintendência do Hospital do Centrinho, através de sua fundação (Funcraf), apresentou a representantes de entidades que atuam com assistência social na área de deficiência e ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) projeto para a ocupação da área de 200 mil metros quadrados no Distrito Industrial II, cuja doação foi realizada em meados de 2002 à instituição. O programa, dividido atualmente em três frentes principais, comporta a instalação de lavanderia hospitalar para prestar serviços especializados a todas as unidades públicas em Bauru, a formação de mão-de-obra técnica no setor para dar suporte à especialização hospitalar e uma fábrica de equipamentos e produtos de fisioterapia, reabilitação e acessibilidade.
O projeto foi apresentado pelo superintendente do Hospital do Centrinho, José Alberto Souza Freitas (Tio Gastão), durante reunião realizada na última terça-feira, em que a direção do Centrinho-Funcraf discutiu as limitações e inconveniências para a instalação de uma unidade da rede Lucy Montoro em Bauru, como deseja a Secretaria Estadual de Deficiência.
O superintendente argumentou que o projeto para a área industrial tem capacidade para suplementar e resolver a demanda por serviços especializados hospitalares em Bauru tanto do ponto de vista da mão-de-obra técnica quanto para demanda de estrutura de suporte, como a lavanderia hospitalar.
“O serviço hospitalar requer higienização e limpeza especializados para instrumentos e dispositivos utilizados na rede e o projeto de Lanvanderia Hospitalar está previsto para atender a toda essa demanda de unidades públicas, desde a higienização do bisturi e outros instrumentos cirúrgicos até o lençol e rouparia utilizados em pacientes e auxiliares disponibilizados em embalagens a vácuo. É uma unidade especializada para a destinação e higienização de uma gama enorme de elementos utilizados na saúde pública”, conta Gastão.
A proposta original do Centrinho era instalar uma unidade de fabricação de uma linha própria de produtos de saúde através da Fundação para o remédio Popular (Furp). “Mas com a instalação da fábrica de remédios em Araraquara, esta alternativa ficou mais difícil, então veio a proposta de suprir o suporte em lavanderia hospitalar”, explica.
Para o suporte de mão-de-obra técnica nos hospitais, o projeto para a área industrial inclui uma unidade de Cursos Profissionalizantes Hospitalares no local. “Este projeto seria instalado ao lado do Hospital Estadual, mas dimensionamos ele para esta unidade do Distrito. Temos uma capacidade prevista de 740 vagas em formação técnica de jovens em lavanderia hospitalar, cozinha hospitalar, limpeza, instrumentação cirúrgica, informática específica para procedimentos hospitalares e auxiliar de esterilização de materiais”, elenca o superintendente.
A concepção do projeto complementa serviços de lavanderia com os cursos profissionalizantes no mesmo espaço, mas em unidades distintas. “São programas específicos para demandas de controle de infecção e qualidade de serviços hospitalares. A Funcraf é filantrópica, o que permitiria redução entre 15% e 20% dos custos a serem cobrados por outras lavanderias. A formação profissionalizante é complemento de absorção e formação técnica na área”, amplia.
A valores atualizados, o programa de cursos técnicos exige investimentos de R$ 6 milhões, segundo a Funcraf. Ambos os programas estão em fase de busca de apresentação de aprovação junto a órgãos do Estado, União ou organismos de fomento, de acordo com a área. Para os demais programas ainda não foi apresentado previsão de investimento.
Projeto Cirandar
A vedete dos programas apresentados pela Superintendência do Centrinho é o Projeto Cirandar, um conjunto de laboratórios para fabricação de equipamentos e produtos de fisioterapia, reabilitação, adaptação e acessibilidade para idosos, pessoas com doenças como Alzheimer, Parkinson, diabetes e demais pacientes com deficiências congênitas e adquiridas.
Gastão considera que este segmento pode integrar ações para fabricação de um leque de componentes de organismos como a rede Lucy Montoro, Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), Rede Sarah, Fundação Dorina Nowill para Cegos, APAE, Sorri e Instituto Lauro de Souza Lima, estes três últimos de Bauru, e outras instituições que necessitam de tecnologias assistivas específicas que possam ser produzidas por laboratórios do projeto.
“As dificuldades das instituições que se dedicam à reabilitação de deficiências físicas congênitas e adquiridas, visuais, auditivas e intelectuais, estão na concessão de equipamentos e tecnologias assistivas, como cadeiras de rodas, andadores, bengalas inteligentes, camas especiais, poltronas específicas, mobiliário para residências adaptadas, produtos básicos para a qualidade de vida dessas pessoas e cujo desenvolvimento não tem suporte especializado em escala”, apresenta o programa.