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Tênis: Diretor da CBT festeja a entrada de Bauru nos circuitos do future

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 8 min

O bauruense e hoje residente em Franca, José Pedro Pereira de Carvalho, diretor do departamento profissional da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), esteve em Bauru, na última quinta-feira, durante a realização do 1º Torneio Brasileiro Lago Sul/Jornal da Cidade, acompanhou os jogos pelo torneio, integrante do calendário dos Campeonatos Nacionais de Incentivo ao Profissionalismo (CNIPs) da confederação e falou ao Jornal da Cidade sobre o momento do tênis nacional e o retorno de Bauru ao cenário da modalidade no Brasil, sobretudo com a formação dos circuitos future.

Carvalho detalhou as iniciativas que a CBT vem tomando para incentivar a prática da modalidade e abrir caminho aos tenistas brasileiros para a entrada no profissionalismo em busca de pontos no ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP). Confira, a seguir, os principais trechos.

Jornal da Cidade – Primeiramente, fale um pouco sobre o momento do tênis em geral no Brasil, nessa era pós-Guga. O Thomaz Bellucci foi campeão do Torneio de Gstaad... Como está o tênis no Brasil?

José Pedro Pereira de Carvalho - O Belucci já é um pequeno resultado. Em termos das nossas ambições, ele é pequeno, mas é um grande resultado para o Belucci, porque ele transitou num patamar de dificuldade com uma certa tranqüilidade ao ponto de ganhar e, em um ano, fez duas finais. Ele perdeu a primeira, na Bahia, e ganhou a segunda, agora. Falando em termos de valores, é um prêmio de R$ 180 mil. Um prêmio de Grand Slam é de R$ 2,4 milhões. Então, gira ali em torno de 10% do grande sucesso onde o Guga transitou. Mas esses torneios (ATPs) são maiorias, são os torneios que vão preenchendo os intervalos entre os Grand Slams. Na era Guga não se aproveitou, não se potencializou nada em termos de desenvolvimento. Na verdade, houve uma acomodação ao sucesso, que não era da CBT, foi um sucesso isolado. Eu sei porque trabalhei em Santa Catarina muito tempo e convivi com o Larri (Passos) muito tempo. Nós viajamos juntos dez anos, sempre em busca daquilo que ele (Larri) já conquistou e eu, porque eu sou treinador, também estou atrás: quero chegar em Roland Garros ganhando.

JC – Como se insere esta conquista do Bellucci, já que um brasileiro não vencia um torneio da ATP há cinco anos, na nova geração de tenistas brasileiros?

Carvalho - O Belucci já é um processo dessa geração nova, com atitudes e ações que visam ao desenvolvimento do tênis. Fazendo um paralelo para o padrão de vida normal, o indivíduo faz um colegial fantástico, um ensino médio fantástico, quer fazer medicina e na cidade dele não tem medicina e ele não tem dinheiro. Então, ele se frustra, vai para uma outra profissão e está se perdendo ali um potencial. Com o tênis era mais ou menos o que acontecia, nós não tínhamos pós-juvenil alguma coisa que desse lastro para que o tenista crescesse com segurança. Nós incentivamos o desenvolvimento e a realização de futures, que são os primeiros (torneios) na ordem de escala. Exemplo: o Belucci, há quase dois anos, ganhou o primeiro future dele. Há dois anos, ele estava fazendo exatamente o que o Tiago (Lopes) fez aqui a semana passada ganhando o future de Bauru, ou seja, como vai ser a história do Tiago.

JC – O aumento do número de futures é a mudança mais importante que vem sendo colocada em prática pela CBT?

Carvalho – Antigamente, possivelmente, não tinha história já de antemão, porque não havia uma seqüência lógica, usando uma logística adequada. O Belucci não, o Belucci já encontrou o caminho dos futures e, depois, os challengers. Mas em um convênio da Federação Internacional de Tênis, Associação dos Tenistas Profissionais e a CBT, fechamos, na América do Sul, uma quantidade de challengers muito parecida com a da Espanha. Ou seja, envidamos esforços, juntamo-nos e criou-se possibilidade não só para o argentino, mas para o brasileiro também. O Belucci já se aproveitou disso, o Tiago Alves se aproveitou, o Marcos Daniel se aproveitou ao ponto de hoje ser chamado de o “rei da Colômbia”, porque lá tem três ou quatro challengers e ele ganhou todos. Ele saiu aqui do Brasil, foi bem nos challengers (nacionais), mas também foi bem nos challengers da América do Sul. Aí, ele partiu para novos caminhos, que são os ATPs, ou seja, sempre fazendo um upgrade no desenvolvimento da carreira.

JC – Quais ações de desenvolvimento do tênis no País estão sendo realizadas pela CBT?

Carvalho - Bem, hoje nós temos um profissional estrangeiro, isso às vezes gera polêmica, porque nós temos gente competente aqui também. Mas com a competência desse indivíduo são um ou dois e o tênis tem um lado muito individualizado ou o interesse do dinheiro acaba não favorecendo a participação desse brasileiro colaborando. Bem, fomos atrás de alguém que entendesse e que estivesse disponível para nos ajudar e encontramos o Emílio Sanches, que é de uma família tradicional, onde todo mundo joga tênis e poderia nos dar algumas indicações de como nos comportarmos para que o tênis se desenvolvesse de forma mais ampla e geral. E a primeira coisa que ele falou foi: ‘devemos desenvolver os clubes como se fazia no Brasil antigamente e como se faz atualmente na Espanha, essa é a minha proposta inicial’. Muito bem, por que isso? Porque o clube dilui o custo e o tenista adentra o mundo do tênis de forma mais econômica, mais barata e vai caminhar. Lógico que nem todo mundo vai ser profissional, é um funil, mas hoje já é factível, qualquer pessoa que quiser ser profissional pelo menos tem as suas tentativas.

JC – Como está a organização da CBT hoje?

Carvalho – Hoje, a CBT tem um corpo de pessoas que não só tem um compromisso com o tênis, mas tem um conhecimento de como se fazer um tênis em nível de França, de Estados Unidos, de Espanha, sem dever nada para ninguém, inclusive com departamento de capacitação invejável. A CBT tem um convênio com os Correios, que foi muito importante para que a gente viabilizasse pequenas coisas e desse força para continuar incentivando essas ações de CNIP, CNT (Circuito Nacional de Transição), os melhores campeonatos infanto-juvenis. O pessoal lá de cima, que, na verdade, até nem é muito função da CBT, que tem que atender o lazer, o desenvolvimento do tênis, o adulto jogando tênis, o estudante não precisando sair do Brasil para ir jogar tênis e fazer uma bela faculdade, essa é uma outra ação que nós vamos entrar muito forte, se Deus quiser, no começo de 2011. Já estamos trabalhando, porque tudo é muito demorado em tênis, nada acontece muito rápido. Você vê, Bauru está sofrendo a ação de futures, CNIPs, porque os CNIPs são gerados por futures. É através do wild card, o convite para jogar o future, que nós colocamos em jogo. Então, também vai eliminando aquela possibilidade de indicações erradas, indicações tendenciosas, ou seja, se o cara for bom ele ganha, se não for, tem que procurar outro caminho. O CNIP é a forma da gente pegar aquele menino que está despontando e dar a ele a oportunidade. Estamos tentando cumprir, pelo menos, com a nossa parte de dar a oportunidade para esses meninos de ter uma carreira.

JC – E o tênis bauruense?

Carvalho - Em Bauru, o pessoal sabe muito de tênis, aqui tem uma história fantástica, conquistas por todas as áreas. O senhor Roberto Cardoso transitou em Copa Davis, em Pan-Americano (ambos em 1951). Hoje não é muito diferente, só tem a diferença que tem muito dinheiro nos torneios profissionais, e ele, com certeza, seria muitíssimo bem sucedido, ele tinha características fantásticas como jogador. Recentemente, tivemos o Roger (Guedes), que foi campeão brasileiro, já na categoria veteranos, é respeitadíssimo no mundo todo e, como essa área na Europa é muito forte na competição interclubes, o Roger também ganha dinheiro até hoje em cima disso daí. Eu estou falando em dinheiro porque tênis profissional é dinheiro, ele é que é a mola mestra de todo esse agito, de todo esse glamour, do envolvimento de todo mundo pensando em desenvolver o tênis, agora de uma forma muito mais sólida.

JC – Bauru é tradicional no tênis como o senhor mesmo falou. Agora, está retornando ao cenário da modalidade e trouxe um future para cá. Qual é a importância para a CBT da “volta” de Bauru?

Carvalho – Primeiramente, pela sua tradição belíssima. Bauru teve uma história de campeonatos no Aberto de Bauru. Teve o senhor Roberto Cardoso, participante do primeiro Pan-Americano (Buenos Aires-1951). Então, Bauru é fortíssimo, respira tênis. Aí, de repente, Bauru, por questões momentâneas, políticas, por questões do próprio clube sentir as dificuldades... Essa é a nossa preocupação, vamos tentar ajudar o clube, vamos tentar alavancar o clube. Foi onde nós contratamos a Tennis Trip, cujo diretor-proprietário é o senhor Antônio Galvão Martiniano, e ele começou envidar trabalhos junto com toda a entidade de uma certa forma política de Bauru para que se viabilizasse um pouquinho daquilo que a gente poderia dar para o desenvolvimento e o retorno de Bauru no mapa. Bauru já estava meio fora do mapa, já não tinha mais bauruense pontuando nos campeonatos infantis, nos campeonatos infanto-juvenis. Aí apareceram jogadores de bom nível e competindo. Opa, voltamos para Bauru e vamos injetar toda uma força dentro das nossas possibilidades. Ninguém consegue salvar, mas, quem quer, a gente está apoiando. E tivemos já um future no ano passado em Bauru, tivemos um este ano e estamos projetando um outro para daqui dois meses.

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