Nacional

Sem-terra fazem acordo com o governo e desocupam ministério

Folhapress
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Brasília - Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina desocuparam na tarde de ontem o prédio do Ministério da Fazenda. Os manifestantes ocuparam o local ontem, por volta das 9h30, em protesto pela reforma agrária. Os sem-terra deixaram o prédio após um acordo com o governo federal e uma ordem da Justiça de reintegração de posse.

Cerca de duas horas antes da desocupação, a Justiça Federal do Distrito Federal determinou que os manifestantes deixassem o local. A Justiça também fixou uma multa de R$ 50 mil para cada nova invasão de prédio, caso haja novas ocupações em Brasília por parte dos manifestantes. A ordem de reintegração de posse foi concedida pelo juiz Alaor Piacini, da 1.ª Vara Federal de Brasília, que atendeu ao pedido feito pela Advocacia Geral da União (AGU).

Representantes dos sem-terra, da Polícia Militar e da Justiça negociaram a saída pacífica dos manifestantes, que só atenderam à ordem depois de fecharem um acordo com o Palácio do Planalto.

Além da ocupação no Ministério da Fazenda, o MST realizou atos em 12 Estados como forma de forçar o governo federal a debater a realização da reforma agrária e o fortalecimento dos assentamentos.

Os sem-terra querem o descontingenciamento de R$ 800 milhões do orçamento do Incra para este ano e a aplicação na desapropriação e obtenção de terras, além de investimentos no passivo dos assentamentos. O ato também exige o assentamento das 90 mil famílias acampadas pelo país e o investimento em habitação, infra-estrutura e produção de 45 mil famílias que estão assentadas apenas no papel. O MST também reivindica a atualização dos índices de produtividade das terras. Segundo o movimento, o índice está desatualizado desde 1975 e deveria ser revisto de cinco em cinco anos.

Insatisfeitos com a política de reforma agrária do governo federal, integrantes do MST pela primeira vez, chamaram o presidente Lula de “traidor”. “Isso (ataques a Lula) é uma demonstração da (nossa) insatisfação. Por isso é quase que uma obrigação elevarmos o tom para ver o que acontece”, disse Marina dos Santos, da coordenação nacional do MST.

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Protestos pelo País

Brasília - Em Belém, 850 trabalhadores do MST ocuparam a delegacia do Ministério da Fazenda, depois de sete dias de marcha de 200 quilômetros, do município de Irituia até a Capital do Estado, pela rodovia Belém-Brasília.

Em Curitiba, cerca de 400 sem-terra ocuparam a representação do Ministério da Fazenda, no centro da cidade. Em frente ao Incra, estão acampados mais 100 trabalhadores rurais. Em Cuiabá (MT), cerca de 1.200 trabalhadores ocuparam o prédio da Receita Federal, órgão do Ministério da Fazenda.

Em São Paulo, os 1.000 marchantes do MST, que chegaram anteontem à cidade após uma caminhada de 100 quilômetros, fizeram um protesto em frente à delegacia do Ministério da Fazenda (ao lado da estação de metrô Luz) para denunciar a política econômica do governo federal, que impede a realização da reforma agrária. Eles ocuparam a praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, desde anteontem, na chamada Marcha Estadual do MST, que teve início em Campinas. Na manhã de ontem, saíram em passeata pela avenida Pacaembu e também passaram pela avenida São João.

Em Porto Alegre, cerca de 1.000 trabalhadores e trabalhadoras da Via Campesina montaram um acampamento no pátio do Ministério da Fazenda. Em Florianópolis, 400 trabalhadores do MST fizeram protesto em frente à delegacia do Ministério da Fazenda.

Em Salvador, cerca de 400 integrantes do MST ocuparam a superintendência do Incra em protesto contra os cortes do orçamento da reforma agrária e em defesa do assentamento das 28 mil famílias acampadas em todo o Estado.

No Ceará, cerca de 1.500 mil pessoas estão mobilizadas em todo o Estado. Em Fortaleza, sem-terra ocuparam o Incra. No município de Caucaia, foi ocupada uma fazenda improdutiva. Foram realizados protestos em órgãos públicos em diversos municípios.

Em Petrolina (PE), cerca de 150 famílias do MST ocupavam a sede do Incra, no sertão do Estado, para fortalecer as reivindicações da marcha estadual. No primeiro dia da marcha, 2.500 trabalhadores e trabalhadoras rurais de Pernambuco caminharam 12 quilômetros da cidade de Pombos, no agreste Pernambucano, até o município de Vitória de Santo Antão. Na chegada a Vitória, foi realizado um ato publico no centro da cidade com panfletagem e exposição de fotos dos 25 anos do MST.

Em Maceió (AL), cerca de 600 agricultores de várias regiões de Alagoas chegaram pela manhã para se somarem às mobilizações da jornada nacional de lutas.

Em Mato Grosso do Sul, divididos em duas colunas, 850 sem-terra iniciaram uma marcha no sábado, que chegará sexta-feira à capital Campo Grande. Com o lema “Terra, Trabalho e Soberania”, a 6.ª Marcha Estadual alerta sobre necessidade da reforma agrária para a construção de uma alternativa à crise econômica.

No Rio de Janeiro, 150 trabalhadores rurais realizaram um ato de protesto na manhã de ontem em frente à delegacia do Mistério da Fazenda no Estado.

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