Internacional

Na eleição, Afeganistão terá cessar-fogo


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Cabul - O governo afegão anunciou ontem que as forças militares do país estipularam um cessar-fogo em 20 de agosto, dia das eleições presidenciais, e declarou que colocará todos os meios a seu alcance para impedir que os fundamentalistas talebans prejudiquem o processo. Mas, determinados a impedir a eleição, os talebans ameaçaram ontem atacar locais de votação, depois de um atentado anteontem contra o quartel da Otan (aliança militar ocidental) no centro de Cabul.

O chefe do serviço de inteligência do Afeganistão, entretanto, disse que as autoridades estão fazendo progressos em convencer talebans a deixar os eleitores em paz no dia da votação na qual o presidente Hamid Karzai, apoiado pelo Ocidente, tentará conquistar um segundo mandato.

A ameaça taleban foi feita em panfletos espalhados por vilarejos do sul do país. Quase 17 milhões de afegãos estão registrados para escolher na próxima quinta-feira, pela segunda vez na história, seu presidente e 420 conselheiros provinciais, em uma eleição que representa enormes desafios de segurança e logística.

O panfleto, assinado pelo mulá Ghulam Haidar, apontado como chefe de operações dos talebans em Kandahar, afirma que os eleitores serão considerados aliados do governo afegão e das tropas estrangeiras, além de inimigos do islã. A ameaça foi confirmada pelo porta-voz taleban Yusuf Ahmadi. “Usaremos novas táticas contra os centros de votação. Se alguém ficar ferido nestes locais ou suas imediações, será responsável pelo ocorrido, pois terá sido informado com antecedência”, disse Ahmadi.

Até agora, os taleban haviam se limitado a convocar um boicote eleitoral dos afegãos e adesão à “guerra santa” para “libertar” o país. As ameaças talebans aumentam os temores de uma grande abstenção pelo risco de atentados, o que reduziria a legitimidade dos resultados.

Apesar das ameaças, o chefe do serviço de inteligência do Afeganistão, Amrullah Saleh, disse que estão em curso conversações com líderes talebans locais para que evitem atacar centros de votação, mas ele deu poucos detalhes sobre a negociação.

Ahmed Wali, irmão mais novo do presidente e candidato à reeleição, também anunciou ter fechado um acordo com líderes islâmicos do sul do país para garantir a segurança no dia da eleição.

O ministro de Defesa, Abdul Rahim Wardak, seu colega de Interior, Mohammad Hanif Atmar, e o chefe da inteligência defenderam a viabilidade da eleição.

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Votação comprometida

Cabul - Funcionários que trabalham na organização da eleição já afirmaram que a insegurança compromete a votação em nove das 365 circunscrições e pode forçar o fechamento de 12% dos 7 mil locais previstos para receber urnas.

Os talebans demonstraram ontem sua capacidade de operar com impunidade, com um atentado suicida com carro-bomba que matou sete civis e deixou 91 feridos diante da entrada do quartel-general das forças da Otan, em pleno centro de Cabul. Milhares de soldados americanos foram enviados ao sul do país para reforçar a segurança.

Os talebans foram expulsos do poder no fim de 2001 por uma coalizão estrangeira liderada pelos Estados Unidos. Karzai, que tem o apoio ocidental, foi eleito nas primeiras eleições do país em 2004 e agora busca a reeleição.

A violência taleban aumentou nos últimos anos e provoca um número cada vez maior de vítimas. O ministério afegão da Defesa anunciou ontem que mais de 30 insurgentes talebans morreram na noite de anteontem em uma operação militar no nordeste do país.

Na província de Khost, cenário freqüente de atentados, se encontram soldados da força internacional mobilizada no Afeganistão, principalmente americanos.

Na cidade Candahar, um foguete atingiu uma loja, ferindo duas crianças ontem. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque.

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