Economia & Negócios

Grife da alimentação cresce em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

A exemplo do que já se observa nos grandes centros urbanos, Bauru está vivendo um momento ímpar em relação à abertura de franquias no segmento alimentício. Nos últimos anos, dezenas de empresas franqueadas vêm sendo inauguradas na cidade, o que demonstra o crescimento da demanda no Interior do Estado pela chamada comida “de grife” e também a tendência dos proprietários em investir em negócios onde os riscos sejam bem menores, mesmo que tenham de pagar por esta garantia.

Somente no Bauru Shopping, aproximadamente 10 estabelecimentos do tipo foram abertos, junto com a conclusão do projeto de expansão do empreendimento. Entre eles estão marcas consolidadas no mercado como a Cone Pizza, Rei do Mate, Showcolate, Subway e Vivenda do Camarão. Para os próximos meses, o condomínio também negocia a vinda de uma franquia da Pizza Hut.

Com 90 lojas em todo o Brasil, a Vivenda do Camarão está instalada há 11 meses no Bauru Shopping. De acordo com proprietário Fernando Coppi, embora o prazo para o retorno do capital investido seja de pelo menos dois anos e os critérios para adquirir a franquia tenham sido rigorosos, o negócio valeu a pena.

“Já fui dono de restaurante próprio e o lucro numa franquia vem bem mais cedo, depois de dois meses de funcionamento. Além do nome já estabelecido, também conto com o suporte da marca, que tem vasta experiência, e com produtos de padrão internacional”, frisa.

De acordo com ele, a idéia de instalar um restaurante especializado em peixes e frutos do mar veio da própria experiência no outro estabelecimento que comandava. “Percebi que o bauruense está cada vez mais preocupado com a saúde e procurando alimentos mais nutritivos. É um produto diferenciado e cada vez mais procurado”, frisa.

Longa espera

Também atento às demandas da cidade, o empresário Felipe Ferreira decidiu trazer a franquia do Rei do Mate para Bauru. “Aqui faz calor quase o ano todo e o mate gelado é uma ótima pedida. Mas, para a época de frio, também temos as bebidas quentes”, informa, já com projetos para abrir uma nova unidade na região central.

Há um ano e meio à frente do negócio, Ferreira conta que demorou o mesmo período para conseguir permissão para instalar a loja na cidade. “Há um processo criterioso até fechar o contrato. Tudo é averiguado, desde a real existência da demanda na cidade e a escolha do melhor ponto comercial, até o treinamento de pessoal e a capacidade de investimento do franqueado”, frisa.

E essa exigência, que à primeira vista pode parecer um empecilho, é o que permite ao segmento de franchising ter uma taxa de mortalidade muito pequena. Para se ter uma idéia, mesmo diante de um cenário de crise, o setor cresceu 19,5% e faturou R$ 55 bilhões em 2008, número acima do estimado para o ano (17%), segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Para 2009, já se projeta uma alta de 13%.

E, no que depender da empresária Cíntia Trassi Pereira Shayeb – que até o ano passado trabalhava apenas como dentista – a estimativa será confirmada. Desde junho, ela comanda em Bauru, ao lado de uma amiga de profissão, uma franquia da doceria Amor aos Pedaços. Assim como a maioria das franquias, a loja é voltada para as classes A, B e C e começou a se expandir para o Interior do Estado apenas recentemente.

“Até meados do ano passado, elas só existiam nas capitais e grandes cidades. Acredito que tanto o dono da marca quanto os empresários dos municípios menores perceberam essa demanda que até então não havia sido explorada”, comenta.

Nos primeiros meses de existência, o estabelecimento tem permanecido com movimento intenso de clientes ávidos pelas delícias dispostas atrás dos vidros das prateleiras. “Vendemos tortas, bolos, doces e café e salgados, tudo feito artesanalmente e com ingredientes adquiridos da matriz. Esta é minha primeira incursão como empresária, mas fiquei dois meses em treinamento gerencial e prático, junto com os funcionários. Até o momento estamos muito felizes com os resultados”, observa.

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Franquias são o futuro das pequenas empresas

Embora o investimento inicial para aderir a uma franquia não seja baixo (média de R$ 100 mil entre licenciamento e equipamentos) e haja exigência de pagamento de royalties sobre a compra mensal de insumos, o movimento de “interiorização” das franquias é pungente e deve reger o futuro das pequenas e médias empresas, na opinião do economista Carlos Roberto Sette.

Ele frisa que, para garantir o ritmo de crescimento do setor, as redes já estabelecidas nos grandes centros agora estão voltando seus negócios para o Interior. “Esta região é responsável pelo segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, atrás apenas da região metropolitana do Estado e à frente do Rio de Janeiro. É um mercado muito promissor”, comenta Sette.

A constatação é corroborada pelo agente de desenvolvimento da empresa Subway no Interior, João Augusto Serra Fugiwara. A marca, que já tem planos para abrir a segunda loja em Bauru, comercializa lanches e saladas no Bauru Shopping para um público selecionado. “O Interior do Estado tem um potencial incrível e a expansão da nossa rede se dá em razão do alto poder aquisitivo e da demanda por consumo deste tipo de produto”, revela.

Por outro lado, os investidores locais procuram, cada vez mais, realizar negócios que sejam viáveis economicamente, mais organizados e menos arriscados. De acordo com Sette, é isso que as franquias oferecem. “Ou seja, uma estrutura muito bem preparada, com plano de negócios já pronto, estudos de viabilidade, treinamentos e pesquisas constantes para lançamento de produtos novos. Com isso, a chance de erro fica bem menor”, frisa.

O Brasil se destaca mundialmente por ser o quarto maior mercado de franquias, atrás apenas dos Estados Unidos, Canadá e Coréia do Sul. Em crescimento constante, somente o segmento de alimentação registrou um aumento de 20% em seu faturamento em 2008. “Por este motivo, o setor representa parte importante e fundamental no desenvolvimento da economia. Na minha opinião, o futuro do capitalismo será das franquias”, finaliza o economista.

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