Com uma política agressiva para irrigar crédito na economia após a crise financeira global e movimentar o setor da construção civil, a Superintendência Regional da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru bateu recorde histórico. Entre janeiro e 15 de agosto deste ano, o banco emprestou R$ 255,962 milhões para a compra de imóveis, montante 114% superior ao contratado no mesmo período de 2008, quando foram concedidos R$ 119,585 milhões em créditos para a habitação.
Os recursos já beneficiaram 8.796 famílias nos 95 municípios abrangidos pela superintendência e superaram todo o volume financiado no ano passado, de R$ 250,602 milhões. Até o final deste ano, a instituição espera contratar ao menos R$ 450 milhões em financiamento habitacional, o que poderá representar um crescimento de 80% em comparação a 2008.
Para o superintendente regional da Caixa em Bauru, José Paulo Gomes de Amorim, a criação de programas de habitação para tomadores de baixa ou nenhuma renda, com a conseqüente desburocratização do processo e a redução das taxas de juros, foi fundamental para que o acesso ao crédito imobiliário aumentasse nestas proporções.
“Lançado em maio, o programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, conseguiu mostrar para a população que é possível, sim, obter financiamento para realizar o sonho da casa própria. Da mesma forma acontecem com os feirões que a Caixa realiza periodicamente”, comenta.
Embora, em Bauru, ainda estejam em fase de análise as propostas das construtoras para o “Minha Casa, Minha Vida” - que deve resultar na edificação de 1.200 moradias em Bauru para famílias com renda mensal de até três salários mínimos, Amorim destaca que o programa já está beneficiando tomadores que ganham entre três e dez salários mínimos.
“O recorde deste ano já contempla muitos contratos firmados através do programa. E nossa expectativa é que, até o final do ano, o ritmo dos financiamentos seja acelerado”, avalia, salientando que, dentro de três meses, os candidatos ao empréstimo situados na faixa de até três salários mínimos já começarão a ser chamados.
Estratégia
Segundo Amorim, a política de facilidade de acesso ao crédito habitacional está alinhada às diretrizes estabelecidas pelo governo federal e visa, sobretudo, manter o setor imobiliário aquecido e frear os níveis de desemprego que haviam atingido o setor da construção civil em razão da crise mundial. Para se ter uma idéia, entre os contratos assinados entre janeiro e agosto na região de Bauru, as taxas de juros variaram de 5% mais taxa referencial (TR) a 13,5% mais TR ao ano.
Elas são fixadas de acordo com a renda do tomador do crédito e da origem do recurso, que pode ser do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Somente na linha de financiamento que utiliza recursos do FGTS, foram liberados R$ 122,434 milhões na região, valor aplicado em 2.442 moradias. Já os empréstimos com recursos das cadernetas de poupança superaram os R$ 127,682 milhões, financiando 6.250 unidades.
No Estado de São Paulo, a maioria dos tomadores de crédito tem entre 30 e 45 anos (83,1%), são do sexo masculino (68,2%) e tem renda mensal entre três e dez salários mínimos (61,8%). No entanto, de acordo com Amorim, quando as famílias de menor renda forem incluídas no “Minha Casa, Minha Vida”, a tendência é que este perfil seja modificado.
“Além da renda menor, a maioria das pessoas será do sexo feminino (já que o governo federal privilegia o registro do imóvel em nome da mulher) e com faixa etária mais avançada”, pondera Amorim.
Em todo o País neste ano, a Caixa assinou 455.156 contratos imobiliários no valor total de R$ 23,2 bilhões, ante os R$ 23 bilhões concedidos durante todo o ano passado. Até o final do ano, o banco estima aplicar em torno de R$ 39 bilhões em crédito habitacional.