Edimburgo - O governo da Escócia anunciou ontem a libertação de Abdelbaset Ali Mohamed Al Megrahi, condenado por sua participação no atentado de Lockerbie, na Escócia, em 1988.
O ex-agente da inteligência líbia, que tem câncer terminal, voltou ao seu país graças a uma decisão de caráter humanitário, apesar da pressão do governo dos Estados Unidos para mantê-lo na prisão.
Megrahi estava preso na Escócia desde que, em 2001, foi condenado à prisão perpétua pelo atentado contra o vôo da companhia Pan Am que explodiu sobre a pequena cidade escocesa de Lockerbie, deixando 270 mortos, em 1988.
“Megrahi agora enfrenta uma sentença imposta por um poder mais elevado”, disse o ministro escocês da Justiça, Kenny MacAskill, em entrevista coletiva. “É terminal, final e irrevogável. Ele vai morrer.”
A emissora de TV CNN mostrou o líbio saindo pelos portões da prisão de Greenock no oeste da Escócia, sendo vaiado por uma pequena multidão enquanto seu comboio se dirigia para o aeroporto.
Chegada à Líbia
Megrahi foi levado de avião para o seu país por um filho do líder líbio, Muammar Gaddafi. “Megrahi foi libertado e está a caminho de casa”, afirmou”.
O avião de Abdel Basset al-Megrahi aterrissou no Aeroporto Mitiga, em Trípoli, e o ex-agente apareceu após longa espera para cumprimentar membros de sua família e um grande números de pessoas.
Condenação
O ex-agente, de 57 anos, foi a única pessoa condenada por aquele atentado. Em 2002, ele perdeu um recurso contra a condenação. Em 2007, porém, uma revisão judicial feita pela Escócia concluiu que pode ter havido erro judicial no caso.
O governo dos EUA e parentes de muitos dos 189 norte-americanos mortos eram contra a libertação dele, exigindo que ele cumprisse toda a pena de prisão perpétua. Já entre os parentes britânicos das vítimas havia uma tendência em prol da sua libertação para que morra em seu país.
O governo americano afirmou “lamentar profundamente a decisão”.
“Como expressamos repetidamente para autoridades do governo do Reino Unido e escocesas, continuamos acreditando que Megrahi deveria cumprir sua sentença na Escócia”, disse um comunicado divulgado pela Casa Branca.
O caso de Megrahi se tornou um marco para o governo escocês, já que coloca em conflito uma série de interesses, entre eles o fato de que as empresas britânicas de petróleo tentam ampliar seus negócios na Líbia, e esperam que a libertação do ex-agente abra portas.