Bairros

Geisel e Jd. Olímpico sofrem com lama

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Se nas ruas asfaltadas de Bauru a chuva dos últimos quatro dias provocou a proliferação de buracos, nas vias de terra a situação está muito pior. Em algumas, a lama obriga motociclistas a utilizar a calçada e moradores a estacionar carros longe de suas casas. Em uma rua do Jardim Olímpico, a falta de escoamento da água da chuva formou um verdadeiro lago, com cerca de dez metros de diâmetro.

No início da semana, a Secretaria Municipal de Obras, atendendo pedidos da população, realizou serviço de terraplanagem na quadra 12 da rua Sérgio Malheiros, no Núcleo Geisel. O trabalho foi elogiado por moradores, mas logo virou motivo de pesadelos. A chuva dos dias seguintes transformou a via em um grande lamaçal.

“Hoje (ontem), cinco carros atolaram aqui. Eu ajudei a tirar três deles”, conta o empresário Humberto Alencar. Ele informa que, desde a quarta-feira, os carros que costumavam ficar na garagem de sua casa permanecem estacionados na rua ao lado. “Eu tenho uma caminhonete grande e ela não consegue atravessar”, conta. “Toda vez que a prefeitura vem e arruma, chove no dia seguinte. Nesta semana, quando os funcionários vieram, eu até brinquei com eles sobre isso”, diz.

O pedreiro João Chilio tem mais sorte que Alencar. A sua casa fica mais próxima da esquina e ele consegue estacionar o carro na garagem. “Mas aí suja a casa inteira de lama e tem que gastar com água para limpar”, conta. “Quem tem carro não passa, mas o pessoal de moto anda pela calçada. Isso pode provocar algum acidente”, alerta.

Por meio da assessoria de comunicação da prefeitura, a Secretaria Municipal de Obras informou que irá recuperar a via na próxima semana, se as condições do tempo permitirem. A poucas quadras dali, na rua Antônio Manoel Costa, no Jardim Olímpico, o maior problema dos moradores não é a lama, mas a água acumulada em uma grande poça, que mais parece um lago. E não é somente motociclista quem evita a lagoa e passa pela calçada. Motoristas de carro também avançam na área de pedestres para não afundar.

O metalúrgico Darci Moraes informa que toda temporada de chuva o problema se repete. “É uma calamidade. Toda vez acontece isso e depois demora mais de um mês para secar porque ninguém da prefeitura aparece para dar um jeito, drenar”, diz. “É a principal via de acesso para o bairro e ninguém liga”, critica.

O conferente Marcos Antônio Noleto Carvalho afirma que o risco de acidentes é grande, pois motos e carros passam pela calçada. “É complicado. O bairro todo é asfaltado, menos aqui”, lamenta. Já o mecânico Rudnei Gomes avalia que, além do problema da água, o bairro sofre com o despejo incorreto de lixo. “Até instalei uma lixeira aqui para os moradores colocarem no lugar certo”, afirma.

O acúmulo de sujeira, mato e lama causa transtorno ainda mais nocivo aos moradores: a proliferação de animais peçonhentos. O enfermeiro Paulo Alex dos Santos matou quatro escorpiões nos últimos dias em sua residência. “É um problema muito sério. E acontece o ano todo”, diz.

____________________

Frentes de trabalho

O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, destaca que a pasta mantém quatro frentes de trabalho para a recuperação das ruas de terra da cidade. “Temos muitos problemas nestas vias, mas nosso trabalho depende das condições do tempo”, diz.

Ele avalia que a secretaria tem testado algumas saídas para as ruas de terra, em caráter experimental, enquanto não há previsão de pavimentação. Uma das alternativas testadas foi a aplicação de uma camada de pedrisco seguida pela passagem de rolo compressor para compactação.

De acordo com Areco, a medida deu bons resultados em uma rua do Distrito Industrial 2.

Comentários

Comentários