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Governo perde R$ 1,8 bi com IPI menor, mas evita 60 mil demissões

Folhapress
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São Paulo - Embora o governo federal tenha deixado de arrecadar R$ 1,817 bilhão no primeiro semestre com a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, houve um aumento de R$ 1,258 bilhão na receita com outros tributos federais devido às vendas impulsionadas pela desoneração. Com isso, o custo do benefício fiscal aos cofres públicos ficou em R$ 559 milhões, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem.

A maior agressividade no mercado de crédito e o fim da isenção do IPI sobre os carros, marcada para o final deste mês, devem provocar novamente falta de modelos nas concessionárias por conta da antecipação das compras.

O IPI volta a subir em outubro - a alíquota vai recuperar um terço do que foi cortado; em novembro haverá outra alta; e a última será em dezembro.

Segundo João Sicsú, diretor de estudos macroeconômicos da entidade, a medida ajudou a manter entre 50 mil e 60 mil empregos diretos e indiretos na economia brasileira no primeiro semestre. “Desonerar nem sempre dá um resultado negativo”, afirmou.

Considerando apenas os fabricantes de veículos e máquinas agrícolas, no entanto, o saldo é negativo. Os últimos dados divulgados pela Anfavea (associação das montadoras) mostram que o setor empregava 119.598 trabalhadores ao final de julho, 12.119 a menos do que em outubro do ano passado, quando houve o agravamento da crise, e as vendas começaram a cair.

Esse número só considera as vagas em empresas ligadas à associação e não leva em conta outras partes da cadeia, como os postos de trabalho gerados por autopeças, concessionárias, revendedoras e seguradoras.

O nível de emprego só deve voltar ao patamar de antes da crise quando a produção também se recuperar, comentou Jackson Schneider, presidente da Anfavea, na última coletiva.

As perdas na arrecadação de tributos devem ter sido ainda menores, acrescentou Sicsú, porque o estudo não considerou os impostos estaduais, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), nem as receitas previdenciárias. “É uma estimativa bastante conservadora.”

Foram levados em conta no cálculo: Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda, Imposto de Importação e IPI, sem incluir, no entanto, a parcela referente a automóveis.

Ainda segundo o estudo, a redução desse imposto gerou uma venda adicional, no atacado, de 191 mil automóveis e comerciais leves, como picapes e utilitários, no primeiro semestre deste ano, o que representa 13,4% do total contabilizado nesse período (1,422 milhão).

Em junho, quando as montadoras comemoraram recorde histórico de emplacamentos no mês, foram vendidos no atacado 287 mil. Desse total, 43 mil são atribuídos à diminuição de IPI.

A indústria automotiva foi uma das principais beneficiadas pelas medidas anticíclicas do governo federal, com a isenção de IPI para automóveis de 1.000 cilindradas e redução para os de até 2.000 desde dezembro do ano passado e até o fim deste mês.

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