Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
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• Jogando contra

Contrariando o bom senso e os deveres básicos de quem ocupa cargo público e tem obrigação de zelar pelo dinheiro do povo, ignorando a Câmara Municipal, a opinião pública bauruense e o próprio prefeito Rodrigo Agostinho, soubemos ontem que há gente na administração municipal, ocupante de cargo de confiança, fazendo o papel de “advogado” da empresa Brambilla na demanda da cidade pela redução do preço do transporte de alunos.

• Providências!

A situação beira o absurdo por estar ocorrendo dentro do espaço público, onde os inquilinos de plantão têm o dever de zelar pelo dinheiro dos cidadãos e não tentar buscar subsídios para sustentar o interesse do empresário, ou seja, o vergonhoso reajuste de quase 50% no transporte de alunos. A se consolidar esta situação, o que hoje é uma simples discussão de preço vai requerer providências enérgicas com outros instrumentos que o cidadão bauruense tem para sua defesa contra maus administradores e suas mazelas.

• No Tribunal

O vereador Marcelo Borges (PSDB) e outros colegas de Legislativo, preocupados, já cogitam abrir uma CEI e até pedir uma intervenção ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) não apenas neste, mas nos contratos anteriores firmados para o transporte de alunos, haja vista que um dos argumentos da empresa é que não se remunerou devidamente nas contratações anteriores. Outros setores vão acionar o Ministério Público de Defesa da Cidadania para investigar minuciosamente esta e outras licitações.

• Quem comanda?

É preciso parar de brincar de administradores da coisa pública. Bauru não agüenta mais desmandos e desfaçatez com seus destinos. Infelizmente, já vimos este filme antes. Ou o prefeito assume de vez e firmemente a condução deste processo, reiterando sua exigência por um bom e justo desconto no reajuste que a licitação provocou, ou a partir de agora os questionamentos serão de outra natureza, como, aliás, já começam a pipocar em rodas de pessoas que conhecem muito bem os corredores dos palácios do poder.

• Quem ganha tanto?

Como se esperava, a Câmara Municipal - poder que tem hoje como principal atribuição a fiscalização das ações do Poder Executivo - disse um sonoro não, na sessão de ontem, à assinatura de um contrato draconiano como este que se avizinha, com 48% de reajuste de um período para outro. Que trabalhador e empresário bauruense e brasileiro têm um aumento tão generoso em seu salário e em seus negócios do dia para a noite?

• Lógica invertida

A prefeitura está fazendo um novo levantamento de preços praticados no mercado de transporte de alunos para tentar justificar o reajuste que ela própria deveria ter evitado já no edital de licitação. Ora, agentes públicos, a base para uma decisão não está lá fora. Está, sim, aqui, na nossa realidade, isto é, no preço que se paga hoje por um serviço rentável, que é de R$ 3,04 por km rodado. Ninguém é contra um reajuste, mas não de quase 50%, o que seria uma afronta aos bauruenses.

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