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Dr. Automóvel: A segurança embutida nos automóveis

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Nem sempre tivemos a segurança que temos hoje em nossos carros, como bem sabem meus amigos do Clube do Carro Antigo de Bauru. Houve tempos em que os freios eram a varão, apenas no eixo traseiro. Era o mesmo que puxar levemente o freio de mão e tentar parar o carro. Claro que os carros eram bem mais leves e vagarosos, mas mesmo assim era difícil brecá-los. Consta que o público tinha medo de que o carro capotasse de frente caso tivesse freio nas rodas dianteiras. Óbvio que desconheciam as leis da física, mas eles é que compravam os carros...

Em 1903 a Mercedes Benz apresenta o freio a tambor pela primeira vez nas rodas traseiras. Já os primeiros freios nas quatro rodas surgiram apenas em 1911 na Itália, em um Isotta Fraschini. Ainda em 1911 surgem em Detroit os espelhos retrovisores e em 1913 as primeiras setas indicadoras de direção, comandadas por cabos acionados pelo motorista. Em 1916 aparecem as luzes de freio, acionadas por pedal específico. Em 1919 vêm os primeiros freios servo-assistidos nas quatro rodas em um Hispano Suiza, e só em 1925 aparecem nos Duesenberg os primeiros freios hidráulicos. O ano de 1926 traz a grande novidade, o vidro temperado, que se parte em milhares de pedaços, ferindo menos os passageiros. Apenas em 1937 surge o esguicho de água para o limpador de parabrisa.

Em 1950, a Dunlop patenteia os freios a disco com pastilhas acionadas por pinças, tal como é ainda hoje. Em 1955, instalam-se as primeiras travas nas portas nos Estados Unidos. Já em 1963, técnicos da Dunlop americana conseguem demonstrar o fenômeno da aquaplanagem, propiciando uma enorme evolução nos sulcos dos pneus para melhor drenagem da água. Em 1964, surgem de um desenvolvimento conjunto da Cibié francesa e da Phillips holandesa, os primeiros faróis com lâmpadas de iodo. Em 1966 são desenvolvidas as colunas de direção retráteis, que passaram a ser obrigatórias nos carros americanos.

Os airbags são desenvolvidos a partir das pesquisas americanas em 1969, enquanto que a Buick lança nos EUA em 1970 o primeiro controle de tração e a Chrysler lança o primeiro carro brasileiro com frente deformável em caso de acidente, o Dodge Dart. A partir de 1972, os fabricantes de carros começam a pensar mais seriamente na segurança passiva, desenvolvendo pára-choques de acordo com normas de segurança e instalando airbags como item de serie.

No Brasil, as coisas sempre aconteciam mais lentamente do que no resto do mundo, principalmente pela reserva de mercado daquela época, que impedia a importação de veículos e as montadoras aproveitavam para nos empurrar os carros que quisessem. Só em 1977 o Contran determinou que todos os carros brasileiros saíssem de fábrica com circuito duplo de freios; no ano seguinte obrigou que também tivessem extintor de incêndio instalado na cabine de passageiros. Só em 1980 o Corcel II saiu com pneus radiais com cinta de aço como equipamento de série. Em 1984 o uso dos cintos de segurança se torna obrigatório no Brasil, mas como é comum por aqui, a lei não pegou no início. Só depois de multas e policiamento é que a coisa passou a funcionar e a reduzir drasticamente o índice de acidentes fatais.

No exterior, a Mercedes Benz lança em 1986 os primeiros carros com controle de derrapagem e diferencial autoblocante. Em 1987 no Brasil, o Escort é o primeiro carro nacional com tanque de plástico. Em 1988 a Varga lança o primeiro sistema de freio ABS fabricado no Brasil e em 1990 o amortecedor eletrônico como opcional. Em 1995, a Ford traz ao Brasil o Mondeo com suspensão quadralink, que aumenta a aderência dos pneus ao solo. Em 1996 surgem o Fiat Tipo e o GM Vectra, primeiros carros nacionais equipados com airbags. Em 1999, o Japão passa a ser o primeiro país do mundo a proibir o uso de celulares dentro do carro, mesmo com viva-voz.

Percebeu como o histórico acima mostra que temos mais de um século de desenvolvimento automobilístico voltado para a segurança veicular? Toda esta tecnologia e conhecimento adquiridos durante este tempo estão, de uma forma ou de outra, dentro do carro que você e eu temos na garagem. Claro que os veículos acabam ficando mais caros quando se instala mais equipamentos neles e por isso, por pura contingência de mercado, alguns itens ainda são opcionais como os airbags e ABS. Mas estes logo farão parte do nosso dia a dia.

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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