Economia & Negócios

Sem acordo, bancários ameaçam iniciar greve

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Com data-base em 1 de setembro, os bancários estão em plena campanha salarial. Quem passou ontem de manhã pelo Centro da cidade foi informado disso e, também, de que eles planejam iniciar greve por tempo indeterminado a partir do próximo dia 24 se a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não oferecer “uma contraproposta decente, que seja agradável aos trabalhadores”, segundo pontua Marcos Lenharo, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, filiado à Conlutas.

O horário de abertura dos bancos ao público é às 10h30, prosseguindo até 16h. Mas ontem, 13 agências bancárias instaladas na região central ficaram fechadas até meio-dia em razão do Dia de Luta realizado pela categoria. De acordo com Lenharo, o protesto foi decidido por unanimidade entre os trabalhadores que participaram de uma assembléia realizada anteontem à noite, no sindicato.

Na última quinta-feira foi realizada a quinta rodada de negociações entre a categoria e a Fenaban, que segundo o diretor do sindicato de Bauru, recusou todas as reivindicações apresentadas oficialmente em uma pauta há pouco mais de 30 dias.

As principais cláusulas econômicas solicitadas pelos sindicatos que integram o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB) são 30% de reajuste salarial (referente à inflação do período de setembro de 2008 a setembro deste ano, mais a reposição das perdas salariais) e que a participação nos lucros e resultados (PLR) seja de 25% do lucro líquido dos bancos distribuída de forma linear a todos os trabalhadores, além da parte adicional.

“A proposta dos bancos é ridícula. Os banqueiros ofereceram 4,5% de reajuste. Quanto à PLR, nos últimos anos eles vêm oferecendo 80% do valor dos salários mais uma parcela fixa, que no ano passado foi de R$ 900,00. Para os bancos, isso significa uma distribuição de 5% do lucro líquido dos bancos. Este ano eles estão propondo uma distribuição como PLR de 4% (do lucro líquido) com teto de R$ 10 mil, e a parte adicional, que até o ano passado foi de R$ 1.900,00, esse ano diminuiria para R$ 1.500,00. Em relação à PLR, a proposta dos bancos este ano é 25% inferior à do ano passado. Foi motivo de chacota na assembléia de ontem (anteontem)”, diz Lenharo.

Tempo de espera

Segundo ele, também foi deliberado na assembléia que os sindicatos participantes do MNOB vão aguardar até a próxima quarta-feira para que a Fenaban apresente uma nova contraproposta à categoria. Se isso não ocorrer ou se a proposta permanecer a mesma, os trabalhadores se reunirão em uma nova assembléia no mesmo dia e deflagrar greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira.

“O protesto de hoje (ontem) foi uma demonstração da insatisfação da categoria em relação à proposta absurda dos banqueiros. Os balanços semestrais dos bancos mostram que eles estão aumentando cada vez mais os lucros, mas eles insistem em ridicularizar o trabalhador. Ontem, nós aproveitamos para pedir a compreensão da população e o apoio a uma luta que não é só corporativa, porque nós também lutamos pela melhoria dos serviços oferecidos”, afirma Lenharo.

Segundo ele, há muito tempo os sindicatos vêm propondo que os bancos trabalhem no atendimento ao público durante o horário comercial (das 9h às 18h). Para isso, seria necessário abrir novos postos de trabalho. Uma das conseqüências, segundo o sindicalista, seria a melhora no atendimento à população.

“Nós, trabalhadores, nunca fomos agraciados pelos patrões. Tudo o que conseguimos até hoje foi por mérito de luta. Infelizmente, nos últimos anos uma das nossas armas tem sido a greve, já que a categoria tem sido ridicularizada pelos bancos. Então, pedimos a compreensão e o apoio das pessoas, porque essa luta não é só dos bancários”, define Marcos Lenharo.

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